Quase metade das pessoas que param de usar canetas emagrecedoras como semaglutida ou tirzepatida mantém parte da perda de peso após um ano. Mas o reganho ainda é comum para a maioria.
Essas canetas controlam a fomo e aumentam a saciedade. No entanto, elas não “curam” obesidade. Quando o uso para, a fome volta e muitos voltam a ganhar quilos. O “efeito ioiô” piora o quadro com o tempo.
Estudos mostram que, em média, cerca de 60% do peso perdido retorna em um ano após a interrupção. Depois desse período, o reganho desacelera. No fim, muitas pessoas ficam com cerca de 25% da perda mantida. Quem emagreceu 20 kg, por exemplo, pode recuperar 15 kg e permanecer 5 kg mais leve.
O que ajuda quem consegue manter o peso?
Mudanças reais no estilo de vida fazem toda a diferença, afirmam os especialistas. Quem adota dieta equilibrada e exercícios regulares tem mais chance de sucesso. Um estudo da Clínica Cleveland observou 7.938 adultos e encontrou que 45% mantiveram a perda de peso após um ano sem a caneta.
Especialistas reforçam que a obesidade é uma doença crônica. Por isso, muitos pacientes precisam do medicamento por tempo prolongado ou até vitalício. O endocrinologista João Salles, da Santa Casa de São Paulo, explica que as canetas são de uso contínuo, assim como o tratamento de outras condições crônicas.
Desmame é possível?
Em alguns casos, médicos conseguem reduzir a dose aos poucos. Mas isso exige acompanhamento rigoroso, manutenção da dieta e atividade física constante. Lício Velloso, da Unicamp, observa que uma minoria consegue parar completamente. Para a maioria, o remédio tende a ser necessário por muito tempo.
Bruno Gualano, da USP, alerta que a expectativa de parar um dia nem sempre se realiza. “Caneta não é elixir de magreza”, ele destaca. Sem disciplina na alimentação e nos exercícios, é muito difícil não engordar novamente.
Parar ainda traz outros riscos
Interromper o tratamento também pode apagar benefícios cardiovasculares. Pesquisas recentes mostram que pausas aumentam o risco de infarto, AVC e morte. A inflamação, a pressão arterial e o colesterol pioram rápido.
O “uso ioiô” pode trazer ainda mais problemas. Cada ciclo de perda e ganho deixa o metabolismo mais lento e favorece o acúmulo de gordura. Clayton Macedo, da Unifesp, explica que a pessoa perde músculo ao emagrecer, mas ganha só gordura ao recuperar peso.
Recomendações
De acordo com os especialistas, o ideal é manter o medicamento enquanto for necessário, sempre com orientação médica. Parar e retomar de forma cíclica pode piorar o quadro a longo prazo. Mudanças permanentes no estilo de vida continuam sendo a base para resultados duradouros.





