Uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que o governo estadual e a Fundação Florestal adotem medidas emergenciais para conter o avanço da erosão em uma área do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, localizado no município de Cananeia, no litoral sul paulista.
A medida foi tomada após estudos indicarem risco de rompimento de uma faixa de terra da ilha ainda neste ano. A decisão judicial estabelece que seja elaborado, em até 10 dias, um plano emergencial de ação para enfrentar o processo erosivo e proteger as comunidades que vivem na região.
O parecer que embasou a liminar foi produzido por um órgão ligado ao Ministério Público de São Paulo e aponta que a erosão acelerada pode levar à separação de parte da ilha.
Área com risco de rompimento
O ponto mais crítico fica no trecho conhecido como Estreito do Melão, onde o avanço do mar e a movimentação de sedimentos vêm reduzindo rapidamente a faixa de areia que liga diferentes partes da ilha.

Em poucos anos, o local passou de cerca de 100 metros de largura para menos de 20 metros, aumentando o risco de ruptura.
Caso ocorra o rompimento, a configuração geográfica da área pode mudar significativamente, criando uma nova separação territorial no arquipélago.
Especialistas apontam que o processo erosivo está relacionado a fatores naturais, mas também pode ser agravado por mudanças climáticas e pela elevação do nível do mar.
Comunidades afetadas
A ilha abriga cerca de 400 moradores, distribuídos em comunidades caiçaras e aldeias indígenas que vivem dentro do parque estadual.
Diante da ameaça, o Ministério Público também determinou que o Estado esteja preparado para realocar famílias, caso o avanço da erosão coloque moradias em risco.
Área de preservação ambiental
O Parque Estadual da Ilha do Cardoso é uma das maiores áreas contínuas de floresta primária preservada no estado de São Paulo.
A região reúne grande diversidade de fauna e flora, incluindo espécies ameaçadas de extinção, além de comunidades tradicionais que vivem no local há gerações.
A decisão judicial busca garantir que qualquer intervenção para conter a erosão seja realizada de forma compatível com a dinâmica natural do ambiente costeiro, evitando obras que possam causar novos impactos ambientais na região.




