O nível de endividamento das famílias brasileiras alcançou 80,2% em fevereiro, o maior patamar desde o início da série histórica da pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), iniciada em 2010.
O dado faz parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). O resultado representa um aumento de 0,7 ponto percentual em relação a janeiro, quando o índice era de 79,5%, e de 3,8 pontos percentuais na comparação com fevereiro de 2025, quando estava em 76,4%.
Inadimplência também voltou a crescer
Além do aumento no endividamento, a pesquisa aponta que a inadimplência voltou a subir após três meses de queda, atingindo 29,6% das famílias, ou seja, quase três em cada dez brasileiros afirmam ter contas ou parcelas em atraso.
Mesmo com esse cenário, houve leve redução na parcela de consumidores que afirmam não ter condições de pagar as dívidas atrasadas.
Em fevereiro, 12,6% dos entrevistados disseram não conseguir quitar os débitos, número ligeiramente menor que o registrado no mês anterior.
Todas as faixas de renda registraram alta
O levantamento mostra que o endividamento aumentou em todas as faixas de renda, com destaque para famílias com ganhos mais altos.
Entre os brasileiros que recebem mais de 10 salários mínimos, a taxa de endividamento chegou a 69,3%, registrando a maior alta entre os grupos analisados.
Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, o índice chegou a 82,9%, mesmo percentual observado no grupo que recebe entre três e cinco salários mínimos.
Comprometimento da renda
A pesquisa também mostra que 19,5% das famílias têm mais da metade da renda comprometida com dívidas, enquanto a maioria, cerca de 56,1%, destina entre 11% e 50% do orçamento mensal para pagar compromissos financeiros.
Entre as principais formas de endividamento, o cartão de crédito aparece como o tipo de dívida mais comum, seguido por carnês de lojas, crédito pessoal e financiamentos.
Especialistas apontam que o cenário está relacionado principalmente ao custo elevado do crédito e às taxas de juros ainda altas, fatores que dificultam a quitação das dívidas e pressionam o orçamento das famílias brasileiras.




