Um fenômeno climático de proporções históricas está se formando no Oceano Pacífico e deve atingir seu pico entre o final deste ano e o início de 2027, colocando o Brasil e o mundo sob alerta máximo. Meteorologistas confirmam a consolidação de um “Super El Niño“, evento que pode superar em intensidade as grandes catástrofes climáticas das últimas décadas, como as de 1997-1998 e 2015-2016.
Segundo modelos do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), há uma probabilidade superior a 80% de que o fenômeno atinja sua força máxima nos próximos meses, elevando a temperatura da superfície do mar em até 4°C acima da média histórica.
Para especialistas, a combinação desse aquecimento oceânico com o já crítico cenário de aquecimento global pode fazer de 2027 o ano mais quente já registrado na história da humanidade, ultrapassando o limite simbólico de 1,5°C de aumento em relação aos níveis pré-industriais.
Cenário no Brasil
De acordo com o CPTEC, o impacto no território brasileiro será marcado por uma divisão climática. Enquanto a Região Sul se prepara para enfrentar chuvas torrenciais e riscos de inundações e deslizamentos, o Norte e o Nordeste caminham para uma estação de seca extrema e calor intenso.
No Sul, estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná já monitoram o nível dos rios e a saturação dos solos. “A tendência é de precipitação muito acima da média, o que, somado ao solo já úmido, cria um cenário propício para desastres hidrológicos graves”, alertou um meteorologista do CPTEC.
Em contraste, a Amazônia e o sertão nordestino enfrentam a perspectiva de uma estiagem prolongada. A inibição da formação de chuvas aumenta o risco de colapso no abastecimento de água e eleva drasticamente a probabilidade de incêndios florestais de grandes proporções na Amazônia e no Pantanal.
Resposta do governo
Devido aos alertas meteorológicos, o Governo Federal ativou, nesta semana, uma Força-Tarefa Interministerial envolvendo 20 pastas. Uma Sala de Situação foi instalada para coordenar ações emergenciais, incluindo o deslocamento de mais de 4.400 bombeiros para pontos estratégicos no Centro-Oeste e na Amazônia.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) também está emitindo alertas diretos para celulares em áreas de risco, uma nova medida para agilizar a resposta da população a eventos súbitos.



