Escolas de diferentes regiões do Brasil estão participando do Projeto Eratóstenes Brasil, uma iniciativa educacional que propõe algo incomum para uma sala de aula: usar sombras para calcular o tamanho do planeta. O projeto repete, com materiais simples, um método criado há mais de dois mil anos pelo matemático grego Eratóstenes, que no século III a.C. estimou a circunferência da Terra sem sair do lugar.
A metodologia segue a lógica original. Cada escola posiciona uma haste vertical no chão, ao meio-dia solar, e mede o comprimento da sombra projetada. Com essa medida e a distância geográfica entre as escolas participantes, é possível calcular o ângulo formado pelos raios solares e, a partir daí, estimar a circunferência do planeta usando geometria básica. Quanto mais distantes as escolas parceiras, mais preciso tende a ser o resultado.
O equipamento necessário é mínimo: um lápis novo funciona como gnômon, fixado na vertical com dois esquadros escolares e fita adesiva. O experimento é realizado em quadras esportivas ou qualquer superfície plana e nivelada, de preferência livre de sombras de árvores e prédios.
Como as escolas podem participar
A participação é gratuita e aberta a escolas do Ensino Fundamental e Médio, faculdades, clubes de astronomia e qualquer instituição interessada. Cada escola cadastra um professor responsável, que realiza as medições com sua turma na data definida pelo cronograma do projeto e insere os dados na plataforma online. A coordenação do projeto então cruza as informações com as de escolas parceiras para calcular os resultados.
O alcance é internacional. Em edições anteriores, mais de 5.800 escolas de 105 países já participaram do experimento, com escolas parceiras no Brasil, na Argentina, na Romênia e na Índia, entre outros.
O projeto vai além da física
Apesar de ser tradicionalmente associado a disciplinas como física, matemática e geometria, o projeto também envolve professores de outras áreas como geografia, história e até artes, tornando o experimento uma ferramenta interdisciplinar. Os alunos trabalham com trigonometria, coordenadas geográficas, história da ciência e até comunicação com turmas de outros países, o que também estimula o contato com línguas estrangeiras.
Pesquisas realizadas com estudantes do Ensino Médio de escolas públicas de Sergipe apontaram que a participação no projeto despertou interesse pela construção de novos conhecimentos científicos e aproximou os alunos do caráter empírico da ciência.
Destaque no Brasil
O projeto ganhou novo destaque no Brasil com a participação de João Pedro Bertonha Lombardi, mestrando em Educação para a Ciência na Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Bauru, integrante do Grupo de Pesquisa em Ensino de Ciências com foco em Física e Astronomia.
Lombardi foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) em Iniciação Científica, tendo pesquisado especificamente a autonomia dos professores dentro do Projeto Eratóstenes Brasil. Ele também atua como monitor no Observatório Didático de Astronomia Lionel José Andriatto.





