A Justiça Federal concedeu, nesta semana, habeas corpus e determinou a soltura de vários investigados na Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal (PF), incluindo os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além do empresário Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei.
A decisão foi proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) nos dias 13 e 14 de maio de 2026, após a análise do excesso de prazo nas prisões preventivas e da ausência de elementos concretos para a manutenção da detenção. A decisão foi assinada pela desembargadora Louise Filgueiras.
Inicialmente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) havia concedido habeas corpus ao MC Ryan SP em 23 de abril, considerando ilegal a prisão temporária de 30 dias, já que a Polícia Federal havia solicitado apenas 5 dias.
Essa decisão foi estendida a outros investigados, mas a PF, em seguida, requisitou a conversão da prisão preventiva, alegando a gravidade do caso. Agora, o TRF-3 confirmou a necessidade de soltura. No entanto, foram impostas medidas cautelares aos soltos.
Foram soltos, mas com condições
Apesar da soltura, a Justiça impôs algumas medidas cautelares que os investigados devem cumprir para se manterem em liberdade. Entre elas estão:
- Entregar o passaporte às autoridades e ficam proibidos de sair do Brasil sem autorização judicial;
- Informar seus endereços atualizados no prazo de dez dias e comunicar qualquer mudança;
- Não deixar as cidades de residência por mais de cinco dias sem autorização judicial;
- Apresentar-se mensalmente em juízo para comprovar suas atividades.
Operação Narco Fluxo
A Operação Narco Fluxo, deflagrada em 15 de abril de 2026, é uma investigação da PF que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro bilionário, estimado em mais de R$ 1,6 bilhão. O grupo seria responsável por movimentar recursos provenientes de apostas ilegais, rifas digitais, do tráfico internacional de drogas e do uso de criptomoedas.
A investigação teve início com provas obtidas na Operação Narco Bet, a partir de arquivos armazenados no iCloud de Rodrigo de Paula Morgado, contador apontado como operador financeiro do grupo. Os dados serviram como um “mapa” da estrutura criminosa, revelando ligações entre influenciadores, empresas de fachada e mecanismos de ocultação patrimonial.




