A França vive um alerta nacional por causa da superexposição da população ao cádmio, um metal tóxico presente em alimentos básicos do dia a dia. O problema cresceu tanto na última década que agora atinge quase metade dos adultos.
O cádmio chega aos pratos principalmente por meio de cereais, pães, batatas, massas e legumes. Esses itens absorvem o metal dos solos contaminados. A contaminação dobrou em dez anos por causa do uso intenso de fertilizantes fosfatados na agricultura.
Autoridades francesas classificam a situação como preocupante. Elas destacam que uma parcela significativa da população, incluindo crianças pequenas, recebe doses acima do que considera seguro. Os níveis na França chegam a ser três ou quatro vezes maiores do que em países como Bélgica, Inglaterra e Itália.
O que o cádmio faz?
O metal tóxico traz riscos graves à saúde. Ele pode causar fragilidade nos ossos, problemas cardiovasculares e renais. Além disso, associa-se ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como os de bexiga, próstata, mama e pâncreas.
Especialistas da agência de saúde pública francesa apontam que o cádmio pode ajudar a explicar o aumento recente de casos de câncer de pâncreas.
Por que o problema piorou?
A principal fonte vem dos fertilizantes fosfatados usados nas lavouras. Esses produtos carregam cádmio e o transferem para o solo. Depois, as plantas absorvem o metal e ele entra na cadeia alimentar.
A agência francesa de segurança alimentar (Anses) pede ação urgente do governo. Ela recomenda reduzir os limites permitidos de cádmio nesses fertilizantes. Segundo os técnicos, essa é a única forma eficaz de controlar a poluição na origem e evitar que a população continue “impregnada” pelo metal a longo prazo.
Enquanto buscam soluções, as autoridades também recomendam que a população varie a alimentação e diminua o risco do consumo, evitando especialmente produtos à base de trigo.





