A menos de uma hora de Porto Alegre, uma cidade de interior surpreende quem chega pela primeira vez. Ivoti, no Vale do Rio dos Sinos, reúne casas de madeira com vigas cruzadas, ruas floridas, uma cachaça premiada em Bruxelas e índices de qualidade de vida que a colocam entre os oito melhores municípios do Rio Grande do Sul.
Originalmente a cidade tinha o nome de Bom Jardim, mas ao longo de sua história mudou para o atual, que vem do tupi-guarani yvoty, que significa flor. A cidade é brasileira, mas a história vem com os alemães. E depois, japoneses.
De Bom Jardim a Ivoti
Até 1938, a cidade se chamava Bom Jardim, nome dado pelos primeiros imigrantes alemães que chegaram à região a partir de 1826, vindos de Hunsrück, no sudoeste da Alemanha. Eles trouxeram consigo a técnica construtiva enxaimel, com vigas de madeira encaixadas e preenchidas com tijolos. O resultado é o maior conjunto de casas nesse estilo de todo o Brasil.
Em 1966, um segundo capítulo começou a ser escrito. A cidade recebeu os primeiros imigrantes japoneses, que se instalaram no Vale das Palmeiras e formaram a maior colônia japonesa do estado. Desde então, ruas floridas convivem com casarões germânicos e jardins japoneses.
Números que colocam Ivoti no mapa
Com cerca de 23.566 habitantes estimados pelo IBGE para 2025, Ivoti tem perfil de cidade pequena com indicadores de metrópole. A taxa de escolarização de crianças entre 6 e 14 anos é de 100%, o maior resultado possível. O PIB per capita alcançou R$ 66.957 em 2023, número expressivo para um município de interior gaúcho.
O Índice de Progresso Social aponta Ivoti como a 1ª cidade do Vale do Sinos e a 8ª do Rio Grande do Sul em qualidade de vida. O índice municipal é de 0,784, colocando a cidade entre as 100 melhores do Brasil, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
Patrimônio tombado e cachaça premiada
Além dos números, a cidade também carrega dois títulos especiais. O primeiro é o fato de que o Núcleo de Casas Enxaimel da Feitoria Nova foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio histórico.
Outro cartão postal da cidade, a Ponte do Imperador, obra em cantaria de pedra com 148 metros construída entre 1857 e 1864 com recursos de Dom Pedro II, também é tombada pelo órgão desde 1988. A cidade integra a Rota Romântica, roteiro oficial que conecta 14 municípios gaúchos de colonização alemã.
O segundo reconhecimento vai para a cachaça da cidade. A Weber Haus, destilaria fundada em 1948 por imigrantes alemães, soma mais de 150 prêmios nacionais e internacionais.
Em dezembro de 2025, conquistou sete medalhas no Brasil Selection by Concours Mondial de Bruxelles, o maior concurso de bebidas do mundo. A destilaria exporta para mais de 30 países e já foi eleita duas vezes a melhor destilada branca do mundo no San Francisco World Spirits Competition.
O que fazer na cidade?
O patrimônio histórico, a natureza e a gastronomia colonial dividem espaço no roteiro da cidade. O Núcleo de Casas Enxaimel da Feitoria Nova abriga o Museu Cláudio Oscar Becker, a Casa do Artesão, a Casa Amarela e a Casa da Cultura, com acesso gratuito. A Ponte do Imperador cruza o Arroio Feitoria e é considerada “parada obrigatória” para quem visita.
O Memorial da Colônia Japonesa, com arquitetura típica nipônica, apresenta objetos históricos e exposições sobre a imigração japonesa no Rio Grande do Sul. Aos domingos do segundo e último fim de semana do mês, a Feira da Colônia Japonesa anima o espaço com produtos da comunidade nikkei.
Quem quiser completar o passeio com uma experiência mais sensorial pode visitar a Destilaria Weber Haus, que oferece tour pela produção e degustação das cachaças premiadas.
Como chegar?
Saindo de Porto Alegre, o trajeto de carro pela BR-116 leva cerca de 50 minutos, cobrindo aproximadamente 55 km. A saída fica no km 231 da rodovia, entre Novo Hamburgo e Gramado. Há também linhas de ônibus regulares que conectam Ivoti a Novo Hamburgo e aos municípios da Rota Romântica.




