Em meio a alertas sobre novos casos suspeitos de Ébola no Brasil e o avanço do surto na República Democrática do Congo (RDC) e Uganda, na África, a infectologista Giovanna Marssola, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, tranquilizou ao afirmar que o potencial pandêmico da doença é menor quando comparado ao da Covid-19.
Em entrevista à imprensa, a infectologista afirmou que as características biológicas e o modo de transmissão do vírus tornam o controle epidemiológico mais viável do que foi observado durante a pandemia de coronavírus.
Barreiras naturais na transmissão
Segundo a especialista, a principal distinção que reduz o risco de uma pandemia global de Ébola reside na sua forma de contágio. Ao contrário do vírus SARS-CoV-2, o causador da Covid-19, o Ébola não possui transmissão respiratória, o maior fator de risco pandêmico.
“O ebola não tem uma transmissão respiratória como o coronavírus”, afirmou Marssola, que explica que a transmissão é feita por contato com fluidos de um indivíduo infectado, como vômito e sangue.
Essa necessidade de contato físico direto e íntimo reduz drasticamente a chance de propagação em ambientes de circulação massiva, como aviões ou transportes públicos, onde a troca de ar limitada favorecia a contaminação pelo coronavírus.
A transmissão está frequentemente associada a cuidados de saúde sem proteção adequada ou a práticas de sepultamento que envolvem contato com o corpo do falecido. A crise nos países africanos é agravada não pela habilidade do vírus em si, mas devido a outros problemas como conflitos e crises humanitárias nas regiões, que dificultam o combate.
O fator sintomático
Marssola também destacou que um dos pontos cruciais para a “capacidade pandêmica” de um vírus é o momento em que o paciente se torna contagioso. Na pandemia de Covid-19, a transmissão ocorria frequentemente durante o período de incubação, ou seja, antes do surgimento dos sintomas, o que dificultava a identificação e o isolamento precoce.
No caso da Ébola, a infectologista explica que o paciente só transmite a doença a partir do momento em que apresenta sintomas. Essa característica permite que as autoridades de saúde rastreiem contatos e isolem casos suspeitos com muito mais agilidade assim que a doença se manifesta clinicamente com febre e outros sinais visíveis, quebrando as cadeias de transmissão com maior eficácia.
Cenário no Brasil
Diante do cenário atual, Marssola ressaltou que, apesar da alta letalidade do Ébola, as medidas de vigilância estão sendo implementadas em tempo hábil. “Todo caso suspeito deve ser prontamente notificado para a Vigilância Epidemiológica, para que todas as medidas sejam implementadas de maneira eficaz”, disse.
No estado de São Paulo, os protocolos já estão ativos: casos suspeitos são encaminhados ao Instituto Emílio Ribas, unidade preparada para receber pacientes com doenças infecciosas graves, minimizando riscos de transmissão inclusive para os profissionais de saúde. Os exames coletados são enviados ao Instituto Adolfo Lutz para confirmação do diagnóstico.
Prevenção
Marssola reforça que a prevenção é simples: evitar o contato com casos suspeitos e, na medida do possível, não frequentar regiões onde a doença está ativa. Atualmente, os casos só se concentram nos países africanos e não há relatos de transmissões em massa em outras áreas.





