Apesar de sua gravidade, o Alzheimer é considerado uma doença silenciosa, pois seus sintomas iniciais geralmente se manifestam de forma sutil, e por conta disso, acabam passando despercebidos.
Considerando que a eficácia de tratamentos capazes de retardar a progressão da doença depende de um diagnóstico precoce, é fundamental realizar a detecção o quanto antes. E um novo método, desenvolvido pela empresa Quanterix, dos Estados Unidos, promete facilitar este processo.
Testado em pacientes do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, trata-se de um novo exame de sangue que demonstrou ser capaz de detectar alterações cerebrais associadas ao comprometimento cognitivo com alta precisão.
De acordo com um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e publicado na revista Molecular Psychiatry, a novidade apresentou o mesmo potencial do exame de líquor, que é um dos métodos mais eficazes de detecção.
Os resultados mostraram que o exame identificou indivíduos com e sem Alzheimer com eficácia entre 94% e 96%, demonstrando assim potencial para se tornar uma importante ferramenta de combate à doença.
Exame é mais acessível do que outras alternativas
Outro ponto de destaque do novo método é seu baixo custo, uma vez que, ao contrário de exames como o PET-CT cerebral, que podem chegar a R$ 10 mil, o exame de sangue é bem mais acessível.
Além disso, ele também é muito menos invasivo, exigindo apenas uma amostra simples de plasma, que será analisada em equipamentos projetados para detectar quantidades mínimas da proteína tau, que indica a presença da doença.
Com os resultados promissores dos testes iniciais, os pesquisadores agora planejam expandir os estudos para uma amostra maior de voluntários. E em caso de confirmação da eficácia, espera-se que o exame seja adotado no Brasil muito em breve, mediante aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).




