O lançamento da Ferrari Luce, o primeiro modelo totalmente elétrico da marca italiana, dividiu opiniões no mundo automobilístico. Para quem já reclamava da Purosangue, o SUV de quatro portas que causou estranheza entre os puristas, o novo elétrico foi “longe demais” para o público. Isso levou um portal especializado a revisitar a história da marca e listar os modelos que mais desafiaram os padrões visuais da Maranello ao longo das décadas.
A lista reúne dez carros, a maioria de produção especial, que provocaram reações parecidas com as da Luce quando apareceram pela primeira vez.
Modelos que desconcertaram o público
A Ferrari 330 GT Shooting Brake Vignale, de 1967, abre o ranking com uma das combinações mais improváveis da história da marca. O carro nasceu de uma encomenda de Luigi “Coco” Chinetti Jr., filho do primeiro representante da Ferrari nos Estados Unidos.
Com dianteira reminiscente dos chamados “muscle cars” americanos e uma traseira que especialistas dizem ter um “excesso de vidro”, o modelo foi construído pela carroçaria Alfredo Vignale e chegou a ser exibido no Salão de Turim. Debaixo do visual inusitado havia um motor V12 de 4 litros e 300 cv.
Na mesma linha, a Ferrari 330 GT Navarro, de 1966, surgiu do desejo de um italiano de ter uma Ferrari personalizada. O resultado foi um carro de proporções quase caricatas, com rabetas de teto exageradas e uma grade que lembrava a boca de um robô. O modelo acabou chamando a atenção de Luigi Chinetti, que viu potencial de venda nos Estados Unidos.
Anos experimentais
Nos anos 1980, a Ferrari Meera S mostrou que encomendas de clientes árabes poderiam gerar resultados surpreendentes. Um príncipe saudita queria algo único a partir de uma Ferrari 400i e encomendou o trabalho à Carrozzeria Michelotti.
O resultado dessa encomenda foi um carro com perfil em cunha e traseira de aparência incomum, mas que trouxe tecnologias avançadas para a época, como câmera traseira com monitor e painel digital.
Já a Ferrari FZ93 Zagato, de 1993, foi concebida durante uma crise da encarroçadora italiana. Com carroceria estreita e pintura coberta de adesivos de patrocinadores, parecia um brinquedo em tamanho família. Curiosamente, o tratamento da frente desse carro influenciou o design da futura Ferrari Enzo.
Outro modelo experimental foi a Ferrari Mythos, de 1989, que é um dos casos que ainda dividem opiniões até hoje. Apresentada no Salão de Tóquio com base mecânica da Testarossa, tinha linhas de ficção científica, sem vidros laterais nem capota convencional.
De acordo com especialistas, o coeficiente aerodinâmico da Mythos era impressionante para a época, mas críticos apontavam que o carro sacrificou personalidade em nome da eficiência.
Também na lista estão a Ferrari F90, desenvolvida em segredo absoluto para o príncipe de Brunei, e a Ferrari 575 GTZ Zagato, de 2006, que tentou aplicar referências dos anos 1950 a um gran turismo moderno e gerou comparações com plástico derretido.
Fim do ciclo de uma clássica
Entre os modelos de produção, a Ferrari 512 M, de 1994, fecha a lista. Ela nasceu de uma tentativa de prolongar a vida útil da Testarossa, que já tinha passado por uma atualização em 1991.
De acordo com analistas, o principal problema da 512 M foi misturar elementos da versão original com novos detalhes arredondados sem que nada conversasse visualmente. O resultado, segundo o portal, transmitia indecisão, e o modelo ficou apenas dois anos em linha antes de ser descontinuado.




