A Justiça de São Paulo determinou, nesta semana, a suspensão imediata do projeto conhecido como “Times Square paulistana“. A decisão liminar, proferida pela juíza Celina Kiyomi Toyoshima, da 4ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ/SP), proíbe o início de qualquer obra, instalações ou intervenções relacionadas ao empreendimento.
A magistrada acatou uma ação popular movida contra a Prefeitura de São Paulo, na qual o Instituto de Arquitetos do Brasil em São Paulo (IAB-SP) é um dos autores. Na decisão, a juíza citou a “magnitude do projeto”, o impacto na região central e o “potencial dano a toda a população” como justificativas para a medida cautelar.
Apesar da suspensão determinada pela Justiça, a prefeitura de São Paulo ainda pode recorrer da decisão.
O “Boulevard São João”
O projeto, oficialmente batizado como “Boulevard São João“, foi anunciado em abril de 2026 pelo governador Tarcísio de Freitas e pelo prefeito Ricardo Nunes como uma iniciativa de revitalização do centro da capital. A proposta previa a instalação de quatro painéis de LED gigantes em edifícios históricos localizados no cruzamento das avenidas São João e Ipiranga.
Os prédios selecionados para receber as telas incluem o Cine Paris República, o Edifício Herculano de Almeida, a Galeria Sampa e o Edifício New York, além de projeções mapeadas no Edifício Independência II.
A inspiração declarada é a famosa Times Square em Nova York, nos Estados Unidos, cruzamento conhecido pelos paineis LED e letreitos gigantes e luminosos, visando atrair turistas e fomentar a economia local, aproveitando o fluxo de milhões de visitantes que a cidade recebe anualmente.
Lei Cidade Limpa
A principal resistência ao projeto vem da Lei Cidade Limpa, legislação municipal vigente desde 2007 que regula a publicidade externa e combate a poluição visual em São Paulo. Críticos, incluindo urbanistas e parlamentares como o vereador Nabil Bonduki, argumentam que a instalação dos telões descumpre essa política pública.
Advogados que atuam na ação popular destacam que a decisão judicial preserva a integridade normativa da lei, impedindo que interesses econômicos privados se sobreponham ao interesse coletivo.
A juíza determinou ainda que a Prefeitura apresente documentos técnicos, o termo de cooperação com a iniciativa privada, atas de reuniões e registros de consulta pública antes de qualquer retomada do projeto.
Confira mais sobre o caso no vídeo abaixo:




