Comer na cidade de São Paulo está mais caro do que em qualquer outra capital brasileira. Um levantamento realizado em parceria entre o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostrou que a cesta básica na capital paulista atingiu R$ 852,87, o maior valor entre todas as cidades analisadas no país.
O impacto vai além do preço absoluto. Esse valor representa cerca de 56,88% do salário mínimo, o maior comprometimento de renda entre as capitais brasileiras.
Na prática, isso significa que o trabalhador precisa direcionar mais da metade do que ganha apenas para garantir alimentos básicos, sem considerar outras despesas essenciais como moradia, transporte e saúde.
Tempo de trabalho revela peso da alimentação
Outro dado chama atenção: o custo elevado também se traduz em tempo. Para comprar a cesta básica, um trabalhador em São Paulo precisa dedicar 115 horas e 45 minutos de trabalho por mês, o maior índice do país.
Esse número evidencia que quase metade da jornada mensal é consumida apenas para cobrir despesas alimentares, reforçando o peso da inflação dos alimentos no cotidiano da população.
Ranking das cidades mais caras para comer
Após São Paulo, outras capitais também apresentam custos elevados com alimentação básica:
- Rio de Janeiro: R$ 826,98
- Florianópolis: R$ 797,53
- Cuiabá: R$ 793,77
- Porto Alegre: R$ 786,84
Apesar disso, nenhuma delas supera o nível de comprometimento de renda registrado na capital paulista.
O que está puxando os preços
Mesmo com pequenas quedas recentes em itens como tomate, açúcar e café, produtos essenciais continuam pressionando o orçamento. Entre os principais vilões estão:
- Carne bovina
- Feijão
- Leite
- Pão francês
- Manteiga
Além disso, no acumulado de 12 meses, alimentos como café e feijão registraram aumentos expressivos, contribuindo para manter o custo elevado.
Salário mínimo não acompanha custo real
O levantamento também expõe um problema estrutural: o descompasso entre renda e custo de vida. Segundo estimativas, o salário mínimo necessário para sustentar uma família deveria ultrapassar R$ 7 mil, mais de quatro vezes o valor atual.
Esse cenário reforça a dificuldade de milhões de brasileiros em manter uma alimentação adequada, especialmente em grandes centros urbanos.





