Entre 2000 e 2022, cerca de 335,5 mil toneladas de ácido trifluoroacético (TFA) foram formadas na atmosfera como resultado da decomposição de substâncias criadas para substituir os antigos CFCs, banidos por causarem danos à camada de ozônio.
Pesquisadores da Universidade de Lancaster apontam que a degradação de compostos como HCFCs e HFOs, bastante utilizados em sistemas de refrigeração e aerossóis, está diretamente ligada à geração desse subproduto químico.
O TFA é classificado como um “químico eterno” por sua alta resistência à degradação natural e já foi identificado na água da chuva em diversas partes do mundo.
Presença crescente no meio ambiente
Por ser altamente estável e solúvel em água, o TFA se dispersa com facilidade e pode alcançar regiões remotas, incluindo áreas polares. Amostras de gelo no Ártico, águas subterrâneas e solos já registram a presença do composto.
Embora as concentrações detectadas em alimentos, água potável e no organismo humano ainda não sejam consideradas graves, o acúmulo contínuo levanta preocupações sobre possíveis impactos ambientais e à saúde no longo prazo.
Debate regulatório em andamento
O tema tem mobilizado autoridades ambientais na Europa. Alemanha e Dinamarca propuseram restrições ao uso de substâncias que, ao se degradarem, formam TFA.
A Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA) avalia a possibilidade de incluir o composto em listas de substâncias que exigem controle mais rigoroso. A discussão gira em torno de como equilibrar a necessidade de alternativas aos CFCs com a prevenção de novos passivos ambientais.
Necessidade de monitoramento e pesquisa
Modelos de transporte químico já indicam como o TFA pode circular globalmente por meio do ciclo da água. Especialistas defendem a ampliação do monitoramento ambiental e a realização de estudos mais aprofundados para entender os efeitos cumulativos do composto.
O caso do TFA ilustra um desafio recorrente na ciência ambiental: soluções desenvolvidas para resolver um problema podem gerar impactos inesperados no futuro. Por isso, pesquisadores defendem abordagens mais cautelosas na adoção de novas tecnologias químicas.
Embora ainda não haja consenso sobre os riscos imediatos, a comunidade científica concorda que acompanhar de perto a evolução da presença do TFA no ambiente é essencial para evitar que ele se torne um novo problema global.




