A farmacêutica EMS começou a comercializar nesta segunda-feira (15) o Ozivy, primeiro medicamento à base de semaglutida produzido no Brasil. O produto, indicado para o tratamento de diabetes tipo 2, chega às farmácias com preço inicial de R$ 287 mensais para novos pacientes, valor abaixo da média praticada pelas versões importadas, como o Ozempic, que custa entre R$ 929 e R$ 1.063.
A caneta emagrecedora foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 26 de maio de 2026, logo após a expiração da patente da molécula detida pela dinamarquesa Novo Nordisk. A estratégia de preços da EMS visa capturar a demanda reprimida por terapias com GLP-1, classe de medicamentos associada ao controle glicêmico e à perda de peso.
Estrutura de preços
O preço de tabela do Ozivy foi fixado em R$ 498 por caneta. No entanto, através do programa de adesão “Vida + Leve“, o valor unitário cai para R$ 452. Além disso, a condição promocional de lançamento permite que pacientes iniciantes paguem uma média de R$ 287 mensais durante os primeiros três meses de tratamento.
Após esse “período de teste” inicial do paciente, o custo retorna ao patamar de R$ 498, ou R$ 452 com o desconto do programa de adesão.
Vale reforçar também que a definição do teto de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) estabeleceu um limite máximo de R$ 803,44, sem levar em consideração os impostos, para a versão de 1,5 ml do medicamento.
No entanto, a EMS optou por praticar um preço cerca de 30% a 40% menor que o teto regulatório e menos da metade do valor de mercado dos concorrentes importados.
Com essa política de preços, o valor inicial da Ozivy chega a ser 71% menor que o preço médio de uma de suas principais concorrentes internacionais, a Ozempic.
Produção
O Ozivy é fabricado na planta de peptídeos da EMS em Hortolândia, em São Paulo, utilizando uma rota de síntese química inédita no país para esta classe de medicamentos. Segundo a companhia, mais de 500 mil unidades foram disponibilizadas no primeiro ciclo de abastecimento, com distribuição garantida nas principais redes farmacêuticas do território nacional.
Apesar da aprovação e do início das vendas, a indicação terapêutica registrada na bula do Ozivy restringe-se ao tratamento de adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, devendo ser usado em conjunto com dieta e exercícios.
O uso exclusivo para emagrecimento, que seria o caso para adultos com obesidade, mas sem diabetes, ainda não consta na indicação aprovada pela Anvisa para este medicamento específico, diferindo de outro concorrente, o Wegovy, que possui essa aprovação.
Impacto no mercado
O lançamento marca o fim do monopólio da semaglutida no Brasil e, segundo especialistas, deve intensificar a concorrência no setor de antidiabéticos e antiobesidade.
Analistas de mercado projetam que a entrada do produto nacional possa pressionar os preços das marcas importadas e ampliar o acesso ao tratamento para pacientes do sistema privado que anteriormente não conseguiam arcar com os custos da terapia original.



