Minas Gerais tem cidades históricas de sobra. Mas poucas reúnem tantas camadas de interesse num espaço tão compacto quanto Araxá, no Alto Paranaíba.
A cerca de 360 quilômetros de Belo Horizonte, a cidade combina um palácio dos anos 1940, fontes termais que brotam quentes do cerrado, uma lenda feminina que atravessa dois séculos e um queijo premiado na França. Tudo isso sobre uma das maiores reservas de nióbio do planeta.
Palácio que já foi cassino
O Grande Hotel Termas de Araxá foi inaugurado em 1944 e é o cartão-postal mais reconhecível da cidade. O projeto mistura influências neoclássicas e coloniais, com salões de mármore e lustres de cristal que remetem a uma época em que o lugar funcionava como cassino e centro de lazer da elite brasileira.
Getúlio Vargas esteve na abertura. Os jardins ao redor foram criados por Roberto Burle Marx e ocupam cerca de 400 mil metros quadrados. O complexo é tombado pelo patrimônio histórico estadual desde 1989.
O cassino durou pouco, apenas dois anos, até a proibição dos jogos de azar no Brasil. As termas, por outro lado, seguem funcionando até hoje.
A mulher que virou lenda
A história de Araxá e a das suas águas termais estão misturadas com a figura de “Dona Beja“. O nome real dela era Ana Jacinta de São José, e ela viveu entre 1800 e 1873.
A fama que ela deixou está ligada aos banhos que tomava nas fontes sulfurosas do Barreiro, aos quais atribuía sua beleza. A narrativa foi crescendo com o tempo e hoje atravessa museus, trilhas e até o restaurante dentro do próprio Grande Hotel.
Na Mata da Cascatinha, uma trilha de pouco menos de dois quilômetros leva até a cachoeira que, segundo a tradição local, era o lugar preferido dela para os banhos.
Queijo que ganhou a França
Araxá é um dos berços do queijo minas artesanal, produto registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio imaterial do Brasil. A região produz queijos que já venceram competições internacionais, incluindo uma medalha de ouro no “Mondial du Fromage”, na França, em 2019, conquistada pelo queijo Minerim.
Algumas fazendas da região recebem visitantes para acompanhar o processo de fabricação. À mesa, o restante da culinária segue o padrão mineiro: pão de queijo, tutu de feijão, frango com quiabo e costelinha com ora-pro-nóbis.
O que fazer por lá?
As termas são o centro da experiência em Araxá. Conectadas ao hotel por uma galeria coberta com afrescos, oferecem banho de lama sulfurosa, piscina emanatória, sauna, ducha escocesa e hidromassagem. Uma rotunda interna conta a história da cidade em vitrais.
Além das termas, a “Fonte Dona Beja” é uma gruta artificial com água que brota entre 37 e 38 graus Celsius. A “Fonte Andrade Júnior” tem água sulfurosa alcalina indicada para tratamentos de pele e problemas reumáticos.
Para quem quer entender a história da cidade, o Museu Histórico Dona Beja reúne acervo sobre a personagem e as tradições locais. O Museu Calmon Barreto homenageia o artista plástico local com obras e objetos da cultura regional.
Como chegar
Araxá tem aeroporto próprio, o Romeu Zema, com voos a partir de Belo Horizonte e frequências semanais desde São Paulo. De carro, o acesso principal é pela BR-262, com cerca de quatro horas e meia a partir da capital mineira. Quem vem do Triângulo Mineiro usa a BR-146, saindo de Uberlândia em cerca de 190 quilômetros.
O vídeo abaixo também fala mais da cidade:




