Ir para a cama em horários diferentes todos os dias, algo comum na rotina moderna, pode parecer inofensivo, mas cardiologistas alertam que esse hábito pode ter impactos relevantes na saúde cardiovascular.
A chamada “irregularidade do sono” acontece quando a pessoa não mantém um padrão consistente, como dormir às 23h em um dia e às 2h no outro. Esse comportamento interfere diretamente no funcionamento do organismo e pode aumentar o risco de problemas cardíacos ao longo do tempo.
Como o sono desregulado afeta o organismo
O principal impacto está na desregulação do ritmo circadiano, o “relógio biológico” que controla funções essenciais como batimentos cardíacos, pressão arterial e liberação de hormônios.
Em fala ao EatingWell, os cardiologistas Douglas Zuckermann, Caroline Ball e Cynthia A. Kos, destacaram que quando esse sistema sai do eixo, o corpo entra em estado de alerta constante, elevando hormônios do estresse. Além disso, a frequência cardíaca e a pressão arterial ficam desreguladas e o organismo perde eficiência na recuperação durante a noite. Essa combinação aumenta a sobrecarga sobre o coração e os vasos sanguíneos.
Pressão arterial e risco cardiovascular
Um dos efeitos mais preocupantes da irregularidade do sono é a alteração no comportamento da pressão arterial durante a noite. Normalmente, a pressão diminui enquanto dormimos, um processo essencial para o descanso do sistema cardiovascular.
Porém, quando o sono é inconsistente, esse “mergulho” noturno pode não acontecer, a pressão média permanece mais elevada e há maior desgaste das artérias. Com o tempo, isso contribui para o desenvolvimento de hipertensão e outras doenças cardíacas.
Impactos no metabolismo e no peso
A desorganização do sono também afeta o metabolismo. Pessoas que dormem em horários irregulares tendem a:
- Fazer escolhas alimentares menos saudáveis
- Consumir mais calorias para compensar o cansaço
- Ter maior dificuldade para manter uma rotina de exercícios
Além disso, o corpo passa a regular pior o açúcar no sangue e o apetite, aumentando o risco de obesidade e síndrome metabólica, fatores diretamente ligados a doenças cardiovasculares.
Inflamação e danos ao coração
Outro efeito relevante é o aumento da inflamação no organismo. Em níveis elevados e contínuos, esse processo pode favorecer o acúmulo de placas nas artérias (aterosclerose), elevando o risco de infarto e outras complicações.
Tanto dormir pouco quanto dormir em excesso, quando associados à irregularidade, podem agravar esse quadro.
O risco pode ser maior do que parece
Estudos citados por especialistas indicam que pessoas com horários de sono mais desregulados podem ter quase o dobro de risco de desenvolver doenças cardiovasculares em alguns anos, em comparação com aquelas que mantêm uma rotina consistente.
Como corrigir esse hábito
Cardiologistas recomendam medidas simples, mas eficazes:
- Manter horários fixos para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana
- Reduzir exposição à luz (especialmente telas) antes de dormir
- Criar um ambiente propício ao sono, com pouca luz e silêncio
- Priorizar de 7 a 9 horas de sono por noite
A regularidade, mais do que apenas a quantidade de horas dormidas, é um fator-chave para proteger o coração.




