Um pequeno anfíbio de corpo escuro coberto por pontos azulados que imitam um céu cheio de estrelas está chamando a atenção no mundo todo. O Melanobatrachus indicus, apelidado de “sapo-galáxia”, vive nas florestas do sul da Índia e raramente é visto por humanos, o que torna qualquer registro fotográfico dele um evento fora do comum.
Foi justamente o que aconteceu quando o fotógrafo indiano Hadlee Renjith conseguiu clicar imagens do animal em Munnar, na região de Kerala. Renjith compartilhou as fotos nas redes sociais e rapidamente acumularam milhares de curtidas, impulsionadas pela aparência do bicho, que parece ter saído de um cenário de ficção científica.
Na ocasião, Renjith contou que o encontro foi o resultado de dias de busca numa expedição com outros fotógrafos. “Estávamos prestes a encerrar o dia. Cansados, encharcados e quase prontos para desistir, quando, de repente, bem na minha frente, empoleirado em silêncio, lá estava ele”, relatou o fotógrafo, que continuou falando que ficou sem reação por alguns segundos.
O que torna o sapo especial
O sapo-galáxia é a única espécie do seu gênero e vive exclusivamente nas florestas úmidas dos “Gates Ocidentais”, a cordilheira localizada nos estados indianos de Kerala e Tamil Nadu.
Por isso, essa condição o coloca numa categoria raríssima dentro da biologia: pesquisadores o classificam como uma espécie evolutivamente distinta e globalmente ameaçada, uma designação reservada para criaturas consideradas “únicas” no planeta.
Além de ser raro, o animal é difícil de achar devido ao seu habitat, tamanho e hábitos. O sapo vive nas partes mais altas dos Gates Ocidentais, acima de 900 metros de altitude. O animal também tende a viver escondido sob troncos e pedras no chão da floresta.
Além disso, o sapo-galáxia mede entre 2 e 3,5 centímetros; o animal pode caber literalmente em uma moeda.
A espécie só foi redescoberta recentemente, no ano de 1997, após décadas sem registros científicos de sua presença. Hadlee Renjith descreveu que, após o primeiro encontro, a equipe passou a identificar habitats semelhantes e encontrou outros indivíduos em diferentes áreas. “O que antes parecia impossível tornou-se uma história de persistência, paciência e compreensão da natureza em seus próprios termos”, disse o fotógrafo.
Riscos
Apesar de sua beleza, seus padrões e cores são também um dos maiores riscos que ele enfrenta. Cientistas alertaram que passeios fotográficos não regulamentados representam uma ameaça concreta à sobrevivência da espécie, causando perturbações e mudanças comportamentais que podem comprometer a alimentação e a reprodução dos animais.
Em 2020, pesquisadores documentaram um grupo de sete sapos-galáxia numa área monitorada dos Gates Ocidentais. Ao retornar, porém, encontraram os troncos revirados, a vegetação pisoteada e nenhum dos animais. Alguém avisou anonimamente aos cientistas que grupos de fotógrafos visitaram a área nesse período.
Diante disso, K.P. Rajkumar, pesquisador da Zoological Society of London, resumiu a situação: “Sem uma gestão cuidadosa e responsável, corremos o risco de vê-los desaparecer do planeta para sempre.”




