O modelo tradicional de televisão paga no Brasil registrou seu pior desempenho histórico em 2025. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua TIC), divulgados ontem (02) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a TV por assinatura está presente em apenas 23,5% dos domicílios do país, o equivalente a 18,3 milhões de lares.
De acordo com o levantamento, o índice representa uma queda de 0,8 ponto percentual em relação a 2024 e consolida uma migração estrutural do consumidor para a internet.
Em sentido inverso, os serviços de streaming de vídeo avançaram e já alcançam 44,4% dos lares brasileiros, o equivalente a mais de 33 milhões de casas, quase o dobro da base da TV tradicional. Pela primeira vez, a televisão conectada à internet se estabeleceu como o principal meio de consumo de vídeo pago nas residências nacionais.
Fim do interesse no modelo tradicional
A pesquisa revela que o comportamento do consumidor vem mudando bastante nos últimos anos. Para 62,2% dos domicílios sem TV por assinatura, o principal motivo para não contratar o serviço é a falta de interesse. O custo do serviço, que era a principal queixa há uma década, caiu para a segunda posição, citado por 26,1% dos não-assinantes.
“A falta de interesse sugere que o consumidor encontrou outras formas de consumir entretenimento, possivelmente através do streaming e de vídeos na internet”, analisou Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE.
Saturação
Apesar do crescimento do streaming, especialistas alertam para um cenário de saturação iminente. Com a fragmentação do conteúdo em diversas plataformas, estudos de mercado indicam que 39% dos brasileiros pretendem cancelar ao menos uma assinatura nos próximos meses devido ao aumento de preços e à sobrecarga de escolhas.
No entanto, mesmo com o streaming sob risco de saturação, o mercado de TV por assinatura, altamente concentrado nas mãos de cinco operadoras (Claro, Sky, Vivo, Mileto e Telemidia), encerrou 2025 com 7,6 milhões de pontos ativos segundo a Anatel, uma queda de 17,7% em um ano e o menor patamar desde 2009.
De acordo com especialistas, o principal desafio para o setor é competir com o streaming pela retenção do consumidor que teria se tornado mais “exigente” devido ao fato que o streaming oferece preços menores e maior liberdade de escolha para o público.




