A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, de 37 anos, permanece sob prisão preventiva após ter novos pedidos de liberdade negados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) nesta semana.
Acusada de integrar esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), Deolane também teve seu registro profissional suspenso cautelarmente pela OAB-SP por 90 dias.
As decisões judiciais, tomadas entre os dias 9 e 25 de junho de 2026, são medidas cautelares no âmbito da Operação Vérnix, que resultou na prisão da influenciadora.
Os magistrados fundamentaram a decisão com base na gravidade das crime que ela é acussada e no “intenso envolvimento” dela com o PCC, rejeitando argumentos da defesa que pleiteava prisão domiciliar por ser mãe de uma criança de 10 anos.
Decisões judiciais
Em julgamento unânime, a Quinta Turma do STJ rejeitou o habeas corpus que buscava a liberdade de Deolane. O ministro relator, Ribeiro Dantas, destacou que as provas dos autos indicam participação ativa no esquema criminoso, afastando a tese de prisão meramente simbólica ou excessiva, que era um dos argumentos da defesa da advogada.
Nesta semana, o TJSP seguiu o mesmo entendimento ao negar outro pedido de liberdade. Em decisão que chamou atenção, os desembargadores citaram o histórico da influenciadora, incluindo sua participação em reality shows, para refutar o argumento de que ela não poderia se afastar da filha.
A corte considerou que o risco de reiteração criminosa e a necessidade de garantia da ordem pública justificam a reclusão de Deolane, que segue presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista.
Esquema de lavagem
A Operação Vérnix, deflagrada em 21 de maio pelo Ministério Público de São Paulo (MP/SP) e pela Polícia Civil (PC/SP), desmantelou uma estrutura financeira que movimentou centenas de milhões de reais. Segundo as investigações, Deolane atuava como “caixa” da facção, utilizando sua respeitabilidade social para dar aparência de legalidade a recursos ilícitos.
O esquema operava por meio de 35 empresas de fachada registradas em um único endereço residencial precário no município de Martinópolis, interior de São Paulo.
A sobreposição de pessoas jurídicas no mesmo local, somada a movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada, levantou suspeitas que culminaram na operação. A polícia identificou ainda a prática conhecida como “smurfing”, com depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil para dificultar o rastreamento.
Por ordem judicial, foram bloqueados R$ 327 milhões em ativos de todos os investigados, sendo R$ 27 milhões referentes especificamente a bens e contas de Deolane. A ação também resultou no sequestro de 17 veículos de luxo e quatro imóveis.




