Motoristas por aplicativo têm chamado a atenção após usar as redes sociais para expor seus lucros com as corridas. Relatos de motoristas e até pesquisas apontam que muitos desses trabalhadores rodam, em média, 46 horas semanais para obter lucros na casa dos R$ 2 mil.
A informação vem com dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontando que os motoristas recebem cerca de R$ 2.766 por jornada superior a 40 horas semanais.
Relatos de menos
Um usuário conhecido como “Uber Estrategista” chamou mais atenção para essa questão após relatar que a maior parte de seus ganhos foram usados para pagar as contas de casa, alimentação e os gastos com o carro, como gasolina e manutenção.
Segundo o usuário, ele analisou 19 meses de trabalho em que ele rodou 46 horas semanais nas ruas da capital cearense. Nesses meses, ele disse ter faturado, em média, R$ 8.400 mensais. Apesar do suposto alto valor, o motorista apontou que mais da metade de seus ganhos foram gastos em despesas.
De acordo com o motorista, suas despesas nesses 19 meses totalizaram um valor superior a R$ 119 mil e, calculando o dinheiro total que sobrou após esses custeios, sobraram R$ 40 mil.
Dividindo esse valor entre os meses analisados, o motorista lucrou pouco mais de R$ 2.000 por mês. O motorista atuava 46 horas semanais recebendo um pouco acima do salário mínimo brasileiro, que está em R$ 1.621.
O que os aplicativos falam?
As plataformas responsáveis pelo serviço, como a Uber e a 99, vêm contestando esses relatos. A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) chegou a citar um levantamento que apontou que os motoristas vêm registrando lucros. Segundo o livantamento, motoristas teriam lucros de R$ 3.000 a R$ 4.000 depois das despesas na jornada de 40 horas semanais.
Por que os relatos?
Muitos motoristas e entregadores resolveram mostrar planilhas e gastos reais nas redes porque o Congresso vem discutindo a criação de um piso mínimo de remuneração. A votação do projeto de lei complementar que regula o trabalho por aplicativos está marcada para abril. O objetivo da categoria é garantir que cada corrida ou entrega pague pelo menos um valor que cubra os custos.
O governo federal, por meio de um grupo de trabalho liderado pelo ministro Guilherme Boulos, propõe um piso de R$ 10 por entrega para os entregadores. A ideia inclui ainda R$ 2,50 extras por quilômetro rodado depois dos primeiros 4 km.
O deputado Augusto Coutinho (Republicanos), relator do projeto na comissão especial, prepara um novo parecer. Ele deve manter o piso mínimo só para entregadores e retirar o valor mínimo obrigatório para corridas de passageiros.
Na versão anterior, o texto falava em R$ 8,50 brutos por corrida curta (até 2 km) ou entrega. Coutinho explica que o foco agora é aprovar o que tem consenso e deixar o restante para os estados decidirem.
Já os representantes das plataformas vêm relatando que o estabelecimento do piso proposto pelo governo federal pode acarretar maiores custos de operação para os aplicativos no Brasil. Com isso, os preços aumentariam e a demanda do público iria cair, causando uma queda no rendimento dos próprios motoristas.





