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Justiça condena empresa a pagar multa por não ter mulheres em cargos superiores

Por Júlio Nesi
22/06/2026
Em Geral
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Sede do TST, em Brasília.

Foto: Warley Andrade / TV Brasil

Sede do TST, em Brasília. Foto: Warley Andrade / TV Brasil

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) confirmou, por unanimidade, a condenação da fabricante de colchões Ortobom ao pagamento de R$ 300 mil em danos morais coletivos. A decisão, tomada pela 3ª Turma do tribunal, pune a empresa por manter exclusivamente homens em todos os seus cargos de liderança em 2022, configurando discriminação estrutural contra mulheres.

A Ação Civil Pública, movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), revelou que, naquele ano, as 22 gerências e duas subgerências da unidade fabril sediada em Arapongas, no Paraná, eram ocupadas integralmente por homens.

O relator do caso, ministro Alberto Balazeiro, destacou que a empresa não apresentou “explicação objetiva plausível” para tal composição. O magistrado ressaltou ainda a incompatibilidade desse cenário com a demografia local, uma vez que mais da metade da população do município é composta por mulheres.

No que a decisão se fundamentou?

Para especialistas, o acórdão do TST reforça que a ausência de mulheres em posições de poder, sem justificativa meritocrática, viola a dignidade da pessoa humana e os princípios constitucionais de igualdade. O ministro Balazeiro apontou que a medida tem duplo caráter: indenizar a coletividade de trabalhadoras ofendidas e servir de alerta ao mercado de trabalho.

A decisão se alinha à Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW) e ao Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que obrigam o Judiciário a considerar as desigualdades sociais que afetam diretamente as mulheres.

Vale ressaltar ainda que a condenação não se limita ao aspecto financeiro; ela estabelece um precedente jurídico de que a homogeneidade de gênero em cargos de liderança, quando desproporcional à base de funcionários e à população local, pode ser presumida como discriminatória, servindo de alerta para outras empresas.

Repercussão do caso

A decisão aquece o debate sobre a necessidade de políticas de diversidade no setor privado do mercado de trabalho. Especialistas em direito trabalhista avaliam que o julgamento sinaliza uma mudança de postura do TST, que passa a analisar não apenas a igualdade salarial, mas também a representatividade nos cargos de comando como indicador de saúde organizacional e conformidade legal.

 

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Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais.

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