Nesta terça-feira (02), a China reconheceu oficialmente todo o território brasileiro como livre de febre aftosa. A decisão foi anunciada conjuntamente pela Administração-Geral de Aduanas da China (GACC) e pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais do país asiático.
Com essa nova análise, as autoridades chinesas revogaram as barreiras sanitárias que impediam a importação de carne bovina de certas regiões do Brasil, especialmente do Norte do país, encerrando um ciclo de restrições que durava mais de duas décadas.
O que isso muda nas exportações?
Para os comerciantes, a medida representa um avanço para o agronegócio brasileiro, considerando que a China é o maior importador mundial de carne bovina e o principal destino das exportações brasileiras do setor.
Em 2025, mais da metade da carne bovina exportada pelo Brasil foi destinada ao mercado chinês, somando valores superiores a US$ 9 bilhões. Somente no primeiro trimestre de 2026, as compras chinesas atingiram cerca de US$ 3 bilhões.
Com o novo status sanitário, o Brasil ganha autorização imediata para exportar produtos anteriormente barrados ou restritos, como miúdos e couro “wet blue” de outros estados, sem a necessidade do Certificado Sanitário Internacional específico. O setor estima um crescimento nas vendas de pelo menos US$ 150 milhões no primeiro ano apenas com as empresas já habilitadas.
Diplomacia com a China
O anúncio foi feito na véspera da chegada a Pequim do chanceler brasileiro Mauro Vieira. O chanceler visita a superpotência asiática para cumprir a agenda com um diálogo sobre novas estratégias diplomáticas e comerciais entre o Brasil e a China.
O governo brasileiro destacou que a decisão é fruto de mais de 20 anos de negociações técnicas e diplomáticas, reforçadas pelo memorando de entendimento assinado durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China em 2025.
O reconhecimento ocorre também um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) ter declarado o Brasil livre de febre aftosa sem vacinação.
Apesar da vitória sanitária, algumas tratativas comerciais permanecem em andamento. Protocolos específicos para a exportação de carne com osso e certos tipos de miúdos ainda estão em fase de negociação entre os dois países.
Recentemente, o ministro da Agricultura, André de Paula, solicitou a realocação de cotas de importação não utilizadas por outros países, pedido que ainda não foi aceito pelas autoridades chinesas, mas o clima nas tratativas é de ampliação das oportunidades comerciais.




