Um estudo clássico publicado na Nature em 2007 relatou que bebês de 6 e 10 meses preferiram personagens que ajudavam outro personagem a alcançar um objetivo, em vez daqueles que o impediam.
Para os autores, isso sugere que crianças pré-verbais já avaliavam ações sociais básicas.
Pesquisa virou referência no tema
O trabalho, conduzido por pesquisadores de Yale nos Estados Unidos, ajudou a popularizar a ideia de que a avaliação social começa muito cedo.
Em estudos posteriores do mesmo grupo, a preferência por “ajudantes” apareceu também em tarefas com outros formatos e até em medidas de atenção visual em bebês mais novos.
Um desses trabalhos relata que, aos 3 meses, bebês já mostravam viés negativo diante de quem atrapalhava.
Mas a história ficou mais complexa
Uma análise de 2018 divulgada pelo National Center for Biotechnology Information reuniu estudos com bebês de 4 a 32 meses e concluiu que, quando tinham de escolher entre um agente pró-social e um antissocial, cerca de 2 em cada 3 bebês preferiam o primeiro.
Depois disso, uma grande replicação coordenada entre vários laboratórios, publicada em 2025, não encontrou o mesmo padrão robusto no paradigma clássico da “subida da colina”.
No conjunto principal, 49,34% dos bebês preferiram o ajudante, enquanto 55,85% preferiram o personagem que empurrava um objeto inanimado para cima, e os autores concluíram que o efeito pode ser mais fraco, ausente ou surgir mais tarde do que se imaginava.
O que a ciência sustenta hoje
Há evidências de que bebês muito novos respondem a pistas sociais e podem mostrar preferência por comportamentos de ajuda, mas o tamanho e a consistência desse efeito continuam em debate.
Um artigo de 2025 na Open Mind, do MIT Press, foi direto ao afirmar que a área precisa contextualizar falhas de replicação e revisar o que exatamente esses estudos medem.





