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Ciência revela por que algumas pessoas nunca conseguem dar certo no amor

Pesquisas em psicologia indicam que padrões de apego inseguros, medo de intimidade e repetição de comportamentos autossabotadores ajudam a explicar por que alguns relacionamentos fracassam de forma recorrente

Por Sofia Volpi
11/04/2026
Em Geral
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O Sr. Darcy e Elizabeth - Foto: Amor e Preconceito (2005)

O Sr. Darcy e Elizabeth - Foto: Amor e Preconceito (2005)

Segundo a teoria do apego adulto, uma das explicações mais consistentes para a repetição de fracassos amorosos está na forma como a pessoa se vincula emocionalmente aos parceiros. A Columbia Psychiatry explica que adultos com apego ansioso tendem a viver relações com medo constante de abandono e busca excessiva por validação, enquanto pessoas com apego evitativo costumam desejar afeto, mas mantêm distância emocional e dificuldade de intimidade. Já o apego seguro está associado ao maior conforto com proximidade, confiança e reparação de conflitos.

Esse ponto ajuda a desmontar a ideia de “azar no amor” como simples fatalidade. Segundo Amir Levine, professor de psiquiatria clínica da Universidade Columbia, o estilo de apego influencia diretamente a forma como a pessoa se comporta em relações românticas e pode gerar incompatibilidades repetidas, sobretudo quando perfis ansiosos e evitativos se encontram. A Associated Press acrescenta que esses estilos não são diagnósticos fixos nem condenações permanentes, mas padrões relacionais que podem mudar com autoconhecimento e experiências mais seguras.

A ciência também aponta que o problema nem sempre está na escolha do parceiro em si, mas na repetição de atitudes que enfraquecem o vínculo. Um estudo sobre relationship sabotage, publicado na revista Behavioral Sciences, define a autossabotagem amorosa como um padrão persistente de atitudes e comportamentos desadaptativos que prejudicam relações íntimas. Entre eles estão dificuldade de confiar, medo de compromisso, retraimento emocional e tendência a agir de forma defensiva quando a relação começa a ficar mais próxima.

Padrões de apego pesam mais do que “sorte”

Segundo a AP, a popularização dos estilos de apego nas redes sociais simplificou demais um campo que é mais complexo. O professor Omri Gillath, da Universidade do Kansas, afirma que ninguém se encaixa perfeitamente em uma categoria e que uma mesma pessoa pode reagir com mais ansiedade ou mais evitação dependendo do contexto e do parceiro. Ainda assim, a literatura indica que esses padrões ajudam a entender por que algumas pessoas repetem os mesmos impasses amorosos.

A Columbia Psychiatry afirma que pessoas ansiosas costumam interpretar sinais de distância como ameaça e buscam reafirmação constante, enquanto evitativos podem recuar quando a intimidade aumenta. Na prática, isso cria relações marcadas por desencontro: um parceiro exige mais proximidade, o outro se afasta, e a dinâmica passa a se alimentar sozinha.

Esse mecanismo ajuda a explicar por que algumas pessoas sentem que “nunca dá certo”. O fracasso recorrente pode não vir de uma ausência de compatibilidade no amor como um todo, mas da repetição de padrões emocionais que dificultam confiança, estabilidade e construção de vínculo.

A autossabotagem 

Segundo o estudo sobre autossabotagem romântica, o problema costuma aparecer justamente quando a relação começa a ganhar consistência. Em vez de segurança, a proximidade pode ativar medo de rejeição, medo de perda de autonomia ou expectativa de sofrimento, o que leva algumas pessoas a agir de modo a enfraquecer a própria relação. Entretanto, é importante lembrar que a pessoa não fracassa no amor necessariamente porque escolhe sempre “a pessoa errada”, mas porque entra na relação com estratégias emocionais que foram úteis em outros contextos de vida, porém se tornam destrutivas em vínculos amorosos.

A boa notícia 

Segundo Amir Levine, os estilos de apego não são imutáveis. A Columbia Psychiatry afirma que as pessoas podem se tornar mais seguras ao longo do tempo, e a AP reforça que relações estáveis, pequenas interações de confiança e maior consciência dos próprios gatilhos podem alterar a forma como alguém se vincula romanticamente.

O professor Gillath também afirma que compreender o próprio padrão de apego pode ajudar a identificar os bloqueios no caminho para relações mais saudáveis. O cuidado, segundo ele, é não transformar a teoria em rótulo definitivo nem usar um resultado de teste como desculpa para não mudar.

O que a ciência sugere, portanto, é menos fatalista do que a manchete pode parecer. Algumas pessoas não “nascem sem sorte no amor”; elas carregam padrões emocionais que dificultam a construção de vínculos estáveis. E, justamente por serem padrões, eles podem ser reconhecidos, trabalhados e modificados.

 

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Sofia Volpi

Sofia Volpi

Comunicadora, jornalista em formação. Apaixonada por esportes e cultura, colunista.

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