Um estudo publicado na PNAS sugere que o cérebro feminino pode levar vantagem sobre o masculino em um ponto específico do envelhecimento: a velocidade de perda de volume em algumas regiões cerebrais. Segundo os pesquisadores, homens apresentaram redução mais acentuada do que mulheres em áreas como caudado, putâmen, núcleo accumbens e pálido, além de maior retração no córtex pós-central ao longo do envelhecimento saudável.
Isso não significa que o cérebro feminino seja “melhor” de forma geral, nem que mulheres estejam protegidas de doenças neurodegenerativas. O que o estudo mostra é um resultado mais delimitado: em certas medidas estruturais, o envelhecimento cerebral ocorreu de forma mais lenta nas mulheres do que nos homens. Os próprios autores afirmam que esse padrão, sozinho, não explica a maior incidência de Alzheimer entre mulheres.
A pesquisa foi feita com exames de neuroimagem de adultos saudáveis e buscava justamente entender se diferenças entre cérebros masculinos e femininos poderiam ajudar a esclarecer o paradoxo do Alzheimer, já que a doença é mais comum em mulheres.
A conclusão foi que, embora os homens tenham mostrado declínio estrutural mais intenso em várias regiões, isso não resolve a questão da maior prevalência feminina da doença.
O que já se sabe sobre proteção cerebral
Embora os estudos apontem diferenças entre cérebros masculinos e femininos no envelhecimento, a melhor evidência disponível para reduzir risco de declínio cognitivo continua concentrada em medidas já conhecidas, como atividade física, controle de hipertensão e diabetes, sono adequado, alimentação equilibrada e redução do isolamento social. O relatório de 2024 da Lancet Commission reforça que a prevenção de demência depende principalmente do controle desses fatores ao longo da vida.





