Um estudo internacional, o PURE (Prospective Urban Rural Epidemiology), revelou que 40% dos infartos ocorrem em pessoas classificadas como de baixo risco pela avaliação padrão.
Conduzido entre 2003 e 2023, com dados de 200 mil participantes em 21 países, o estudo destaca deficiências nas atuais abordagens de avaliação.
Esse dado expõe a vulnerabilidade de muitos que não recebem acompanhamento ou intervenções preventivas adequadas, em especial fora do foco das estratégias de saúde pública.
Por que os infartos não estão sendo antecipados?
As limitações dos modelos tradicionais de risco cardiovascular contribuem para que muitos infartos não sejam previstos.
Esses modelos falham em capturar todos os fatores de saúde, como estilo de vida urbano, alterações na dieta e aumento do sedentarismo.
A pesquisa também destacou que o excesso e a carência de sal na dieta estão associados a riscos cardiovasculares elevados.
Impacto global e paradoxo do risco
O paradoxo do risco cardiovascular revelado no estudo indica que países de alta renda, apesar de maior risco cardiovascular, têm menos eventos cardíacos graves devido ao melhor acesso a tratamentos contínuos.
Em contrapartida, muitos pacientes brasileiros pós-infarto não utilizam medicações preventivas, aumentando suas chances de novas ocorrências.
Limitações atuais e novos caminhos
O estudo PURE reforça que as falhas na identificação de risco derivam de um foco excessivo em fatores conhecidos, como tabagismo e hipertensão, sem considerar a interação entre fatores genéticos e ambientais.
Por exemplo, a Lipoproteína(a) é apontada como um marcador independente de risco cardiovascular, e sua presença pode aumentar o risco de infarto e AVC, mesmo com níveis controlados de colesterol geral.
Ações necessárias
A pesquisa PURE exige uma revisão das estratégias de prevenção cardiovascular. A incorporação de fatores genéticos e de qualidade de vida na avaliação de risco é fundamental.
Além disso, é necessário aumentar o acesso ao tratamento em regiões de baixa renda, como parte do Brasil. As conclusões destacam a importância de ajustes nas abordagens preventivas.




