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Edição Semana 345

Tarcísio reconhece o erro

Discurso linha-dura e desconfiança com câmeras em uniformes de policiais prejudicaram a segurança pública em São Paulo

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Duda Teixeira
5 minutos de leitura 13.12.2024 03:30 comentários 6
Tarcísio reconhece o erro
Tarcísio de Freitas. Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de São Paulo
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O governador do estado de São Paulo Tarcísio de Freitas deu duas declarações raras para políticos neste mês de dezembro, ao reconhecer publicamente erros na política adotada para as câmeras corporais dos policiais militares em sua gestão.

A primeira ocorreu na quinta, 5 de dezembro. Tarcísio ressaltou a importância das câmeras para sociedade e para o policial.

“Você pega a questão das câmeras: eu era uma pessoa que estava completamente errada nessa questão”, disse o governador, do partido Republicanos. “Hoje, estou completamente convencido que é um instrumento de proteção da sociedade e do policial. E nós vamos não apenas manter, mas ampliar o programa.”

No dia seguinte, Tarcísio reconheceu os efeitos negativos das falas das autoridades no comportamento dos policiais: “Nosso discurso tem peso e, se erramos a mão no discurso, isso tem peso”.

A mudança de rota ainda não foi definida, mas acena que o estado deve retomar algumas orientações que estavam tendo bons resultados, mas que foram abandonadas no atual mandato.

Também mostra como se ater a alguns credos do bolsonarismo pode ser problemático para políticos com cargos eletivos.

Histórico

São Paulo e Santa Catarina são os estados que tiveram as melhores experiências com as câmeras corporais.

Em 2020, o então governador paulista João Doria anunciou o programa Olho Vivo com a compra de 2,5 mil câmeras. Naquele ano, o número de mortos pela polícia foi de 856, de acordo com o Ministério Público.

No ano seguinte, o total caiu para 624. Em 2022, ano da eleição, para 477.

No primeiro ano de Tarcísio, 2023, os mortos pela polícia voltaram a subir e chegaram a 542. O dado mais recente para este ano é de 784 — um valor próximo do que havia antes do início da adoção das câmeras.

Benefícios

O uso das câmeras nos uniformes aumentou a confiança da população nos policiais e fez com que as pessoas passassem a se comportar melhor ao se encontrar com as forças de segurança.

Por outro lado, policiais passaram a seguir os protocolos, o que não apenas reduziu os confrontos armados, como fez com que os profissionais ficassem menos expostos.

A queda na letalidade policial foi uma consequência natural.

Alheio a esses bons números, Tarcísio fez campanha em 2020 ao governo do estado de São Paulo falando em acabar com as câmeras.

"O Estado está do lado dele (policial), por isso eu tive uma postura muito crítica com relação às câmeras. O que representa a câmera? É uma situação deixar o policial em desvantagem em relação ao bandido", disse o candidato ao programa Pânico, da Jovem Pan.

Eleito, Tarcísio escolheu o deputado federal Capitão Derrite, do PL, para chefiar a Segurança Pública, em um aceno ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O mantra passou a ser que era melhor uma “população segura, não policial vigiado”.

Em maio deste, foi anunciada uma mudança no uso das câmeras. Elas deixariam de funcionar ininterruptamente. O policial, assim, poderia ligá-la e desligá-la à vontade.

As imagens também teriam uma qualidade melhor, para permitir o reconhecimento de face, e ficariam guardadas por menos tempo.

O governo, assim, se afastava do padrão que tinha funcionado no estado e que estava sendo implantado em outras cidades do mundo.

Mudança

O que levou Tarcísio a anunciar uma alteração de rota foram vários casos recentes de uso descontrolado da força por policiais.

Um jovem foi jogado de uma ponte por um PM, um estudante de medicina levou um tiro à queima roupa após dar um tapa no retrovisor de um carro da polícia e sair correndo, uma criança de 4 anos morreu com um tiro de espingarda durante uma ação em Santos, no litoral.

As novas medidas sobre as câmeras corporais ainda não foram divulgadas. Mas, com o erro já admitido, bastaria retomar o que já estava sendo feito antes.

“Uma das primeiras medidas poderia ser a retomada do modelo de gravação ininterrupta, que estava sendo usado”, diz a advogada e socióloga Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz.

“Além disso, seria bom que os comandantes locais e os sargentos assistissem vídeos aleatórios todos os meses, o que levaria uma adesão maior dos policiais aos protocolos estabelecidos”, diz Carolina.

Se Tarcísio de Freitas tem planos de tentar novas eleições no futuro, melhor consertar a rota o quanto antes, em vez de se ater a conceitos ideológicos que não trazem resultados para a população.

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Duda Teixeira

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Comentários (6)

GIL FERREIRA FERNANDEZ

2024-12-15 08:05:21

Uma questão: Por que criticar aquilo que nem aconteceu ainda? Vejo que a maioria dos repórteres, tem essa mania. Não se contentam em dar a notícia, mas criticam até o que pode ou não vir no futuro.


Emerson

2024-12-13 22:19:57

Pelo menos admitiu que errou. E os que não admitem que estão errados e ainda colocam a culpas nos outros .


Marcio de LIma Coimbra

2024-12-13 15:23:34

Concordaria, no condicional, se todos os servidores públicos fossem obrigados a usá-las. do Servente ao Presidente. A métrica usada é ridícula: Letalidade Policial É fácil se otimizar isso. É só primar pela inação. Indicadores que você pode 'otimizá-los' nada fazendo é grotesco. Aí aparecerão argumentos que não é bem assim, são índices cruzados e blablablá. Índices que importam são numero de assassinatos, roubos, furtos, agressões, extorsões e por aí vai. Nenhum desses índices o policial poderá alterá-lo prestando um mau serviço ou sendo inoperante.


Clayton De Souza pontes

2024-12-13 15:19:56

O último parágrafo desse artigo está perfeito. O bandido não tem regras, mas o agente deve ter


Ernesto Herbert Levy

2024-12-13 08:53:30

Eu sou pró-Tarciso, mas a posição dele sobre as câmeras sempre me incomodou. Como ele é um sujeito racional, sempre achei esta posição bolsonariana demais, tomada para alegrar a parcela fanática dos adeptos incondicionais do ex-presidente. Contra fatos não há argumentos e o tiro saiu pela culatra. Espero que tenha aprendido, corrija o rumo e se afaste cada vez mais do Minto.


Carlos Renato Cardoso Da Costa

2024-12-13 05:42:06

Quem não deve não teme. Quero ver policial com câmera buscar arrego no morro ou passar a caixinha na porta do comércio local


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Comentários (6)

GIL FERREIRA FERNANDEZ

2024-12-15 08:05:21

Uma questão: Por que criticar aquilo que nem aconteceu ainda? Vejo que a maioria dos repórteres, tem essa mania. Não se contentam em dar a notícia, mas criticam até o que pode ou não vir no futuro.


Emerson

2024-12-13 22:19:57

Pelo menos admitiu que errou. E os que não admitem que estão errados e ainda colocam a culpas nos outros .


Marcio de LIma Coimbra

2024-12-13 15:23:34

Concordaria, no condicional, se todos os servidores públicos fossem obrigados a usá-las. do Servente ao Presidente. A métrica usada é ridícula: Letalidade Policial É fácil se otimizar isso. É só primar pela inação. Indicadores que você pode 'otimizá-los' nada fazendo é grotesco. Aí aparecerão argumentos que não é bem assim, são índices cruzados e blablablá. Índices que importam são numero de assassinatos, roubos, furtos, agressões, extorsões e por aí vai. Nenhum desses índices o policial poderá alterá-lo prestando um mau serviço ou sendo inoperante.


Clayton De Souza pontes

2024-12-13 15:19:56

O último parágrafo desse artigo está perfeito. O bandido não tem regras, mas o agente deve ter


Ernesto Herbert Levy

2024-12-13 08:53:30

Eu sou pró-Tarciso, mas a posição dele sobre as câmeras sempre me incomodou. Como ele é um sujeito racional, sempre achei esta posição bolsonariana demais, tomada para alegrar a parcela fanática dos adeptos incondicionais do ex-presidente. Contra fatos não há argumentos e o tiro saiu pela culatra. Espero que tenha aprendido, corrija o rumo e se afaste cada vez mais do Minto.


Carlos Renato Cardoso Da Costa

2024-12-13 05:42:06

Quem não deve não teme. Quero ver policial com câmera buscar arrego no morro ou passar a caixinha na porta do comércio local



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