Casa BrancaNa Casa Branca, Janja pousa a mão, abençoando a amizade dos dois presidentes

Janja, uma radical livre no poder

Admiradora de Michelle Obama, a primeira-dama brasileira tem tudo para acabar como Hillary Clinton
27.04.23

O cargo de primeira-dama não é regulamentado em lugar algum, nem na Constituição, nem em leis. Trata-se de uma tradição, em que a ocupante do posto — conquistado graças à sua relação com o mandatário, e não por ter sido eleita para tal — decide o que irá fazer dele. Mas, enquanto todas as primeiras-damas anteriores optaram por se dedicar ao assistencialismo ou se resignaram à uma vida pacata, não há nada que chegue perto ao ativismo político de Rosângela Silva, a Janja.

Em quatro meses de governo, Janja apareceu em fotos onde sua presença causou estranheza. Nos Estados Unidos, ela entrou na Casa Branca de mãos dadas com o presidente americano Joe Biden. Lá dentro, na foto do cumprimento de mãos entre os dois presidentes, no Salão Oval, ela aparece bem no meio deles, pousando sua mão como se estivesse abençoando uma amizade. Ainda que em visitas oficiais a presença da primeira-dama seja comum, não se avista por nenhum lado a esposa de Biden, Jill. Internautas animados replicaram a imagem de Janja em apertos de mãos históricos, como entre Kim Jong-un e Donald Trump, ou entre Josef Stalin e Winston Churchill. Janja também ressignificou a definição de papagaio de pirata em encontros com o presidente português Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro António Costa e o espanhol Pedro Sánchez.

No Palácio do Planalto, onde Janja ganhou uma equipe e um gabinete ao lado da sala de Lula, a primeira-dama assumiu um protagonismo fora do comum. Ela conversa com assessores do presidente e dá palpites em políticas públicas. Uma de suas primeiras reuniões foi no encontro com governadores após os atos de 8 de janeiro. Como Lula não tem celular, muitos políticos precisam telefonar para ela, que então decide quem deve ou não ser atendido. É ela também que decide que horas deve começar e terminar a presença de Lula em encontros oficiais. Em Brasília, acredita-se que a escolha da cantora Margareth Menezes para o Ministério da Cultura foi obra dela.

ReproduçãoReproduçãoMontagem mostra Kim Jong-un, Janja e Trump na zona desmilitarizada
Isso é uma novidade na história das primeiras-damas brasileiras”, diz Ciça Guedes, coautora do livro Todas as mulheres dos presidentes: a história pouco conhecida das primeiras-damas do Brasil. “Diferentemente de suas antecessoras, a atual primeira-dama tem uma história de militância político-partidária de quase quatro décadas. Seu posicionamento político já podia ser percebido ao longo da campanha eleitoral, quando ela, com Lula, construiu a estratégia do amor contra o ódio. No governo, ela tem participado ativamente do dia a dia da política.”

Esse excesso de exposição, contudo, tem multiplicado as críticas. Petistas reclamam que Janja monopoliza o presidente e controla a sua agenda. Outros se dizem escandalizados porque a primeira-dama comprou um sofá elétrico de 65 mil reais ou comprou uma gravata para Lula em uma loja de luxo, em Lisboa. As bandeiras que Janja escolheu para empunhar nesses quatro anos não são consensuais e também só aumentam a repulsa, como a defesa dos direitos da comunidade LGBT e sua crítica à violência contra a mulher. Vale lembrar que uma boa parte do eleitorado conservador, considerável no Brasil hoje, tem ojeriza ao feminismo ou ao que chama de ideologia de gênero.

Antes de assumir o posto, Janja, que é socióloga, disse em uma entrevista para a TV Globo que ela tinha duas fontes de inspiração: a argentina Evita Perón e a americana Michelle Obama. As duas personagens teriam muito a ensinar à brasileira. Evita, uma atriz que deveu sua fama unicamente ao relacionamento com Perón, proferia discursos elogiando o marido e atacando os seus inimigos. Ganhou popularidade distribuindo dinheiro, bicicletas e geladeiras aos argentinos pobres, gastando para isso as reservas que o país tinha acumulado exportando alimentos na Segunda Guerra. Seu principal legado foi a divisão do país. Ainda hoje, Evita é amada por metade da Argentina e odiada pela outra metade, algo parecido com o que ocorre com Janja.

ReproduçãoReproduçãoEm outra colagem, Winston Churchill, Janja e Josef Stalin
Michelle Obama, por sua vez, é uma das referências modernas de primeira-dama elegante e bem-sucedida. Mas o comportamento que a americana teve na Casa Branca em nada se parece ao da brasileira. Michelle conquistou a todos, republicanos, democratas e independentes, dedicando-se alguns temas consensuais, como a alimentação saudável nas escolas e a importância dos exercícios físicos. Michelle também foi sábia em seguir os conselhos de Hillary Clinton, uma primeira-dama que irritou a população americana ao se envolver demais com a política.

Em 1993, com caderninho em mãos, Hillary realizou diversas reuniões no Congresso. Advogada formada na Universidade de Yale e falando em nome do presidente, ela conversou com parlamentares com o intuito de aprovar uma reforma no sistema de saúde, apelidada de “Hillarycare”. Mas congressistas republicanos como democratas rejeitaram suas ideias, dizendo que ela não os levou em consideração ao apresentar seu plano de 1.342 páginas. Hillary ainda foi chamada diversas vezes para dar explicações no Congresso, mas não logrou convencer os demais a ponto de levarem o plano para votação no plenário. Ao dar esse passo sem ter um mandato para isso — como primeira-dama, ela não foi eleita — Hillary angariou a antipatia de muitos, o que inviabilizou sua vitória nas urnas em 2016.

Em 2008, Hillary foi solidária em contar de sua experiência negativa para Michelle Obama, que então se preparava para assumir o papel de primeira-dama. Em seu livro Minha História, Michelle conta ter falado com Hillary ao telefone. “Eu quis aprender com a experiência que Hillary compartilhou comigo, de deixar a política para o Barack e focar meus esforços em qualquer outra coisa”, escreveu ela. Deu certo. Quando o segundo mandato de Obama acabou, Michelle registrava uma aprovação maior que a do marido: 66% a 40%. No Brasil de 2023, Janja está muito mais no caminho de Hillary do que no de Michelle.

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  1. A Sra. ESBANJA é a nossa Eva Perón com caganeira crônica a flanar na banheira do finado Gugu a ser verdade os vídeos bem escrôtos que circulam na net.

  2. A interferência e protagonismo de um agente não eleito é mais um ponto de embaraço de nossa querida república das bananas.

  3. Minha esposa chamou-me a atenção para o modo de se vestir da PD. Lamentável mesmo é ter um cartão de crédito sem limite e usar roupa de mau gosto.

    1. Acho que ele tenta ressuscitar o poste Haddad, o poste Dilma ele já despachou para o outro lado do mundo.

    1. Já cancelei. Só estou cumprindo tabela. Percebeu que até os comentários minguaram ¿

  4. Eu nunca vi em classificados de emprego alguém procurando por uma socióloga. Mas, sem querer desvalorizar a profissão, entendo que ela deve ser mais requisitada em pesquisas científicas sobre a sociedade humana. Então eu sugiro para a nobre 1ª dama que dedique-se a pesquisar sobre a realidade do MST hoje ou escrever uma biografia autorizada da Gleisi.

    1. Essa fake news de que a madame atual do descarado político é socióloga é mais uma das abusivas mentiras do tal marido. É socióloga de “araque”, só pra evitarem comentários na mídia de que tá mais pra garota de programa que pagou bons boquetes pro “cliente” enqto ele “teve” preso, do que ter nível superior. O Brasil é assim. A “povarada” acredita em qquer coisa que espalham.

    1. Uma sem noção, deslumbrada e ridícula. Desde o dia da vitória, " comadre sebastiana, pulava que nem uma guariba", arrodeando o trio elétrico. Espinho quando tem de picar, de pequeno traz a ponta!

  5. A sra. Janja deveria se espelhar na Sra. Ruth Cardoso. Um pouco de discrição também é recomendável. Gostaria de conhecer a tese e de sua monografia ao se formar em sociologia. Assim, poderíamos entendê-la melhor.

    1. Quem nasceu para ser lagartixa, JAMAIS será jacaré. São mundos completamente inconciliáveis.

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