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Hillel Neuer sobre Lula: “As pessoas não o levam a sério”

O diretor-executivo da ONG UN Watch não acredita que a presidência do Brasil no Conselho de Segurança da ONU possa influenciar a guerra entre Israel e o Hamas e diz que a ligação do Irã para Lula "já diz muito"
20.10.23

O diretor-executivo da ONG UN Watch, o advogado canadense Hillel Neuer, é o homem mais odiado na sede da ONU em Genebra, na Suíça. Ele já foi até alvo de uma campanha de difamação promovida pelo chefe do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Todo esse ódio é direcionado contra ele porque Neuer é um especialista em apontar as contradições da ONU no respeito aos direitos humanos, além de ser um crítico contumaz das ditaduras.

Neste Crusoé Entrevistas, Neuer falou sobre a posição da imprensa e de muitos outros países que, mesmo diante do massacre promovido pelo grupo terrorista Hamas contra civis israelenses, atacaram o Estado de Israel e usaram os terroristas como fonte de informação de maneira acrítica.

Em relação à declaração de Lula de que tentará usar a presidência rotativa no Conselho de Segurança da ONU para acabar com o conflito, Neuer foi cético. “Não acho que o Conselho de Segurança fará algo além dos encontros, que são importantes para destacar a situação. O Brasil, que exercerá a presidência por um mês, não terá uma influência significativa no processo. Não acho que as pessoas respeitem o Lula. As pessoas sabem que ele é um ideólogo de esquerda. Era um camarada de Fidel Castro. As pessoas sérias não o levam a sério“, diz Neuer.

Na terça, 17, Lula recebeu uma ligação do presidente iraniano, oferecendo ajuda para que o petista possa exercer um papel no cenário internacional. Para Neuer, isso já diz muita coisa. “O chefe de um regime terrorista, fascista e misógino como a República Islâmica do Irã liga para Lula e pede para que ele intervenha. Isso realmente já diz muito. Não é uma evidência muito positiva para Lula, ter um regime homofóbico, misógino e antissemita querendo que ele se envolva.”

Neuer comentou o viés contra Israel em grandes veículos da imprensa mundial. “A grande imprensa, em geral, cobre a guerra com uma narrativa muito definida. Eles encolhem a visão. Focam apenas na questão Israel e os palestinos, para mostrar que Israel é a parte maior, quando Israel na verdade está cercado pelo mar e por dezenas de milhões de quilômetros quadrados de terra árabe. Eles focam em uma área estreita para fazer Israel se parecer como o agressor. Então a história, a narrativa, já está lá. Só falta preencher com os fatos“, diz Neuer.

O advogado questionou a declaração do PT, que acusou Israel de cometer crimes de guerra. “Os israelenses estavam dormindo, os palestinos também. O Hamas então mandou 6 mil terroristas. Não sabemos os números exatos. Eles invadiram o país e entraram em comunidades, em casas. Eles mataram famílias inteiras. Eles estupraram mulheres. Eles mataram pessoas durante um festival de música. Isso foi um crime de guerra“, diz Neuer. “Israel respondeu tentando acertar os terroristas, para que eles não façam isso de novo. O que o Partido dos Trabalhadores disse no Brasil é uma distorção completa. Israel é uma democracia tentando se defender das atrocidades de estilo nazista cometidas pelo grupo terrorista Hamas. E tem o direito de se defender.”

Neuer ainda comentou o fato de o Brasil não ter a sua própria lista de organizações terroristas, tendo de recorrer à do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O Hamas, contudo, não figura na lista, porque para isso seria necessário o aval da Rússia e da China. “Qualquer país que esteja realmente preocupado com terrorismo deve ter a sua própria lista, como os Estados Unidos, a União Europeia ou o Canadá. Assim, eles não dependem das Nações Unidas, que precisa da aprovação de Pequim ou de Moscou para tanto. Qualquer democracia que se respeite deve ter a sua própria lista“, afirma.

Assista ao vídeo abaixo:

 

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