Crusoé
12.02.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
    • Entrevistas
    • O Caminho do Dinheiro
    • Ilha de Cultura
    • Leitura de Jogo
    • Crônica
    • Colunistas
    • Assine já
      • Princípios editoriais
      • Central de ajuda ao assinante
      • Política de privacidade
      • Termos de uso
      • Política de Cookies
      • Código de conduta
      • Política de compliance
      • Baixe o APP Crusoé
    E siga a Crusoé nas redes
    Facebook Twitter Instagram
    Edição Semana 401

    Quem pensará quando já não pensarmos?

    Com um prompt bem-feitinho, qualquer um produz sua própria salsicha

    avatar
    Gustavo Nogy
    5 minutos de leitura 02.01.2026 03:30 comentários 1
    Macaco infinito. Inteligência artificial Gemini
    • Whastapp
    • Facebook
    • Twitter
    • COMPARTILHAR

    Um estudo da Confederação Internacional de Sociedades de Autor e Compositores (Cisac), publicado no dia 4 de dezembro, prevê que a adoção massiva de ferramentas de inteligência artificial generativa fará com que criadores da indústria fonográfica e audiovisual percam o equivalente a 116 bilhões de reais nos próximos cinco anos.

    Muita gente tem sido e será demitida. Muita gente desaparecerá.

    Músicos e produtores, escritores, roteiristas, artistas gráficos e tradutores já disputam o que sobra das sobras do mercado não mais com seus pares, mas com seus ímpares artificiais.

    Dubladores também. Atores? Estamos quase lá (convenhamos, alguns são indistinguíveis de robôs).

    E se chatbots aos poucos vão ocupando o lugar de amigos, cônjuges e terapeutas, quem se surpreenderá com um Jesus feito à imagem e semelhança da nossa IA?

    Aqui e ali, grupos e movimentos tentam conter o tsunami algorítmico com as barricadas da boa intenção.

    Conseguirão, no máximo, atrasar o processo por meio de processos judiciais que, cedo ou tarde, perderão.

    No álbum-manifesto Is this what we want?, Paul McCartney se junta a centenas de outros músicos em “protesto contra a proposta de mudança da lei de direitos autorais proposta pelo governo britânico”.

    O ex-beatle compôs a faixa-bônus para a versão em vinil do disco: 2’45” de ruídos.

    Mas não é provável que álbuns-manifestos ou cartas abertas, ainda que assinadas por Nick Cave e Billie Eilish, Salman Rushdie ou George R.R. Martin, intimidem a fúria tecno-aceleracionista de neoprofetas como Sam Altman e Elon Musk.

    O fim do mundo (de um certo mundo) veio pra ficar.

    E o que fazer depois que o mundo acaba?

    No atualíssimo ensaio A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, de 1935, o filósofo alemão Walter Benjamin observa que a possibilidade de se reproduzir tecnicamente as obras artísticas tirava delas o que ele chamou de “aura”, de sua condição de “aqui-e-agora”:

    “Mesmo na reprodução mais perfeita uma coisa se perde: o aqui e agora da obra de arte – sua existência única no local em que se encontra. No entanto, é nessa existência única, e somente nela, que está realizada a história à qual a obra de arte esteve submetida no decorrer de sua duração”.

    Com o desenvolvimento tecnológico, um quadro, uma apresentação musical, uma atuação teatral podem ser capturados pela tecnologia de gravação, filmagem ou fotografia. Sua apreciação já não depende de sua presença – “a reprodução técnica pode ainda colocar a cópia do original em situações inatingíveis a esse mesmo original. Acima de tudo, ela torna possível levar essa cópia ao encontro do receptor, seja na forma de fotografia, seja na de disco de vinil”.

    Benjamin é ambíguo a respeito do que percebe. Identifica no esvaziamento da autenticidade um preenchimento político de sua reprodução.

    A arte, deslocada de seu contexto histórico e, a partir de então, “compartilhável”, será usada para fins políticos – ora para manipulação, ora para emancipação. A depender do gosto ou dos poderes do freguês.

    Não reproduzimos – ultraprocessamos

    Quase um século depois, conseguimos a proeza de não apenas reproduzir tecnicamente a obra de arte, mas dissolvê-la no multiprocessador digital, transformando tudo – do mais sagrado ao mais profano, do mais sofisticado ao mais grosseiro – em dados informacionais. Em números.

    Com um prompt bem-feitinho, qualquer um produz sua própria salsicha.

    O que há de novo é que, mais do que a perda da aura, da autenticidade, do caráter irrepetível da produção humana, o que se perde é o fator humano.

    Com a inteligência artificial, prescindimos da ideia de autoria e, mais do que de autoria, de intencionalidade artística, de comprometimento cognitivo e de responsabilidade ética.

    Quem pensará quando já não pensarmos?

    Se terceirizarmos a produção intelectual humana – da filosofia à arte, da ciência à religião –, por quanto tempo ainda seremos capazes de compreender, analisar e julgar essa produção?

    Haverá um tempo – depois, mas não muito depois de 2026 – em que o uso de anabolizantes tecnológicos atrofiará de vez nossa inteligência? Quem pensará quando já não pensarmos?

    O imbróglio me lembra o “Teorema do Macaco Infinito”: em tese, um macaco digitando aleatoriamente em um teclado por um intervalo de tempo infinito irá, quase certamente, criar um texto qualquer escolhido, por exemplo, a obra completa de Shakespeare.

    Imaginemos que sim: que um macaco batucando teclas por tempo infinito escreva, por acidente probabilístico, a obra completa de Shakespeare. Essa cópia perfeita da obra de Shakespeare seria a obra de Shakespeare?

    Um poema de amor que seja produto de um software feito para autocompletar sentenças continua sendo um poema de amor ou será apenas o resultado – significante sem significado – da combinação probabilística de caracteres que simulam com precisão o que seria um poema de amor?

    Gustavo Nogy é escritor

    X: @GustavoNogy

    As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista

    Diários

    Preocupação com segurança é maior entre nordestinos e lulistas

    Redação Crusoé Visualizar

    Ratinho Jr. à frente de Caiado e Leite, aponta Quaest

    Redação Crusoé Visualizar

    Elon Musk tenta escalar xAI enquanto executivos saem

    José Inácio Pilar Visualizar

    Flávio quer presidenciáveis de direita no governo, diz Valdemar

    Redação Crusoé Visualizar

    Randolfe viraliza por inaugurar comedouro de cano de PVC

    Redação Crusoé Visualizar

    Brasil analisa acordo entre EUA e Argentina

    José Inácio Pilar Visualizar

    Mais Lidas

    A mentira carnavalesca de Gleisi

    A mentira carnavalesca de Gleisi

    Visualizar notícia
    Brasil analisa acordo entre EUA e Argentina

    Brasil analisa acordo entre EUA e Argentina

    Visualizar notícia
    Cubanos "interruptos": sem trabalho e sem salário

    Cubanos "interruptos": sem trabalho e sem salário

    Visualizar notícia
    Elon Musk tenta escalar xAI enquanto executivos saem

    Elon Musk tenta escalar xAI enquanto executivos saem

    Visualizar notícia
    Flávio quer presidenciáveis de direita no governo, diz Valdemar

    Flávio quer presidenciáveis de direita no governo, diz Valdemar

    Visualizar notícia
    Lula está mesmo em briga com o Master?

    Lula está mesmo em briga com o Master?

    Visualizar notícia
    O fenômeno Takaichi

    O fenômeno Takaichi

    Visualizar notícia
    Por que André Ventura apanhou feio em Portugal

    Por que André Ventura apanhou feio em Portugal

    Visualizar notícia
    Quem o eleitor paulista prefere na ausência de Tarcísio

    Quem o eleitor paulista prefere na ausência de Tarcísio

    Visualizar notícia
    Randolfe viraliza por inaugurar comedouro de cano de PVC

    Randolfe viraliza por inaugurar comedouro de cano de PVC

    Visualizar notícia

    Tags relacionadas

    inteligência artificial

    Shakespeare

    < Notícia Anterior

    A mentira de Lula às mulheres

    26.12.2025 00:00 | 4 minutos de leitura
    Visualizar
    Próxima notícia >

    Servidor público precisa de código de ética?

    09.01.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
    Visualizar
    author

    Gustavo Nogy

    Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

    Comentários (1)

    Albino Clarel Bonomi

    2026-01-02 07:18:47

    Excelente digressão!


    Torne-se um assinante para comentar

    Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

    Comentários (1)

    Albino Clarel Bonomi

    2026-01-02 07:18:47

    Excelente digressão!



    Notícias relacionadas

    Theatro Municipal apresenta: Projeto Oruam Sinfônico

    Theatro Municipal apresenta: Projeto Oruam Sinfônico

    Josias Teófilo
    06.02.2026 03:30 4 minutos de leitura
    Visualizar notícia
    O eclipse da liberdade

    O eclipse da liberdade

    Dennys Xavier
    06.02.2026 03:30 6 minutos de leitura
    Visualizar notícia
    Acabou a paciência

    Acabou a paciência

    Josias Teófilo
    30.01.2026 03:30 3 minutos de leitura
    Visualizar notícia
    Vale a pena se ocupar com a política?

    Vale a pena se ocupar com a política?

    Dennys Xavier
    30.01.2026 03:30 5 minutos de leitura
    Visualizar notícia
    Crusoé
    o antagonista
    Facebook Twitter Instagram

    Acervo Edição diária Edição Semanal

    Redação SP

    Av Paulista, 777 4º andar cj 41
    Bela Vista, São Paulo-SP
    CEP: 01311-914

    Acervo Edição diária

    Edição Semanal

    Facebook Twitter Instagram

    Assine nossa newsletter

    Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

    Crusoé, 2026,
    Todos os direitos reservados
    Com inteligência e tecnologia:
    Object1ve - Marketing Solution
    Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso