Crusoé
29.05.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Edição Semana 388

Dogmatismo jihadista ou Realpolitik?

Plano de Trump obriga Hamas a decidir se segue o caminho do martírio, ou sobrevive para lutar a próxima batalha

avatar
Samuel Feldberg
5 minutos de leitura 07.10.2025 00:01 comentários 0
Dogmatismo jihadista ou Realpolitik?
Foto: Joyce N. Boghosian/ The White House
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

Escrevo estas linhas no calor dos acontecimentos, às vésperas do segundo aniversário do massacre perpetrado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. Durante os próximos anos não faltarão relatos e imagens sobre a barbárie que fez jus à definição de terrorismo: atingir civis com a intenção de promover objetivos políticos.

Concentremo-nos, então, nas consequências: neste exato momento, está sendo discutido o plano do presidente Trump, que pode levar à libertação dos reféns israelenses e à progressiva retirada das forças israelenses da Faixa de Gaza.

A aceitação do plano implica no reconhecimento pelo Hamas de que o ataque foi um erro, que custou um enorme preço, tanto para a população quanto para a organização. Eles estariam abrindo mão do controle de Gaza e da maior parte de seu armamento, em troca da libertação de milhares de prisioneiros palestinos, entre eles vários de facções rivais que representariam uma barreira ao Hamas em futuras eleições.

Mas não faltam elementos que fortaleçam a visão dos pessimistas, eu entre eles, céticos com as possibilidades de um acordo. E a definição de pessimista é o otimista com experiência.

Otimista com experiência

O que nos mostra esta experiência? Que uma organização fundamentalista islâmica como o Hamas (para não falar da Jihad Islâmica) está disposta a uma trégua para se recompor, mas não a um acordo de paz como o proposto por Trump.

A raison d’être do Hamas é a destruição do Estado de Israel, um dogma que eles não podem abandonar, faz parte de sua identidade. Já houve acordos anteriores, acomodações, e todas elas terminaram em uma nova roda de enfrentamento, sempre mais violenta que a anterior.

E temos exemplos para embasar nosso ceticismo: durante a guerra civil no Líbano, forças norte-americanas e francesas foram enviadas a Beirute para garantir um cessar-fogo. Ambas foram vítimas de brutais ataques terroristas praticados pelo Hezbollah, outra organização fundamentalista islâmica, que deixaram centenas de vítimas.

Por que agora o resultado seria diferente, com a instalação de uma “Força Internacional de Segurança”, ainda que seus membros sejam muçulmanos? Afinal, a maioria das vítimas dos fundamentalistas islâmicos ao longo da história tem sido de muçulmanos. Se estas forças atuarem como a Unifil (Força Interina das Nações Unidas no Líbano) atuou no sul libanês ao longo das últimas décadas, não trarão nenhuma contribuição.

O acordo

O acordo, por mais limitado que seja, também gerará tensões com o Egito. Israel certamente incorporará a experiência adquirida desde a retirada de 2005, durante a qual foi abandonado o Corredor Filadélfia, que permitiu que a corrupção egípcia, endêmica, abastecesse o Hamas com todos aqueles insumos necessários para o sucesso do ataque em 7 de outubro.

Agora, se os egípcios continuarem a atuar, talvez não utilizando túneis, mas drones, como já ocorre na fronteira de Nitzanim em eventos de contrabando, retaliações israelenses serão necessárias para impedir o rearmamento destas facções, o que sempre coloca em xeque o acordo de paz que vigora desde 1979.

O único cronograma mencionado no plano diz respeito à libertação dos reféns: todas as outras etapas dependem da implementação de uma série de medidas, que têm tudo para dar errado. O mapa da proposta para a retirada israelense lembra muito os acordos de separação de forças com o Egito na década de 1970, mas naquela época o então secretário de Estado americano Henry Kissinger, e não Trump, era quem dava as cartas.

Armadilha

O plano de Trump cria uma armadilha para o Hamas: por um lado, atende à maioria das demandas de Israel, inclusive uma área tampão na fronteira, que modificará totalmente o conceito de segurança frente aos palestinos. Por outro, oferece a Israel uma ampla legitimidade, abrindo a proposta de incorporação aos Acordos de Abraão de países tão diversos quanto o Kuwait e a Indonésia, em um momento no qual o Paquistão oferece à Arábia Saudita um guarda-chuva nuclear.

O ataque de 7 de outubro ficará para sempre na memória de uma população traumatizada, inclusive pela explosão de um antissemitismo disseminado ao redor do mundo. Mas, em termos geopolíticos, mudou para sempre as relações de Israel com seus vizinhos.

Assim como a guerra do Yom Kippur, em 1973, demonstrou que Israel não poderia ser derrotado pela força das armas, o ataque do Hamas desencadeou mudanças que eliminaram a capacidade operativa do Hezbollah e colocaram em dúvida a ameaça nuclear iraniana.

Agora o Hamas precisa decidir se segue o caminho do martírio, ou sobrevive para lutar a próxima batalha. Talvez a resposta esteja no pragmatismo relatado no Alcorão.

Samuel Feldberg é diretor acadêmico da StandWithUs Brasil, doutor em Ciência Política pela USP, professor de Relações Internacionais, pesquisador do Centro Moshe Dayan da Universidade de Tel Aviv e fellow em Israel Studies da Universidade de Brandeis.

Leia a íntegra da edição especial

Diários

Lula faz terrorismo com Pix

Duda Teixeira Visualizar

A jogada errática de Lula ao indicar – de novo – Messias ao STF

Wilson Lima Visualizar

Reação de Lula tem desinformação e admissão incômoda

Redação Crusoé Visualizar

Lula defende chuveirinho quente para indígenas

Duda Teixeira Visualizar

“Não aceitamos ser tratados como moleques”, diz Lula sobre atuação dos EUA no Brasil

Redação Crusoé Visualizar

"Submissão de Tarcísio e Zema ao bolsonarismo chama a atenção", diz Amoêdo

Redação Crusoé Visualizar

Mais Lidas

A ilusão da neutralidade

A ilusão da neutralidade

Visualizar notícia
A seguridade social que o Brasil não consegue pagar

A seguridade social que o Brasil não consegue pagar

Visualizar notícia
A sorte sorriu para Lula, mas o eleitor bocejou

A sorte sorriu para Lula, mas o eleitor bocejou

Visualizar notícia
"Americano nenhum vai matar nossos bandidos. Quem vai matar seremos nós"

"Americano nenhum vai matar nossos bandidos. Quem vai matar seremos nós"

Visualizar notícia
Estamos todos bêbados

Estamos todos bêbados

Visualizar notícia
Influenciadores e o terrorismo estocástico

Influenciadores e o terrorismo estocástico

Visualizar notícia
Lula perdeu o controle

Lula perdeu o controle

Visualizar notícia
Novos ares no cinema

Novos ares no cinema

Visualizar notícia
O populismo da PEC 6x1

O populismo da PEC 6x1

Visualizar notícia
O problema final de Flamengo e Palmeiras

O problema final de Flamengo e Palmeiras

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Hamas

Israel

< Notícia Anterior

A cartada da isenção do IR

03.10.2025 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

Virada no Lulômetro

10.10.2025 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Samuel Feldberg

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)


Notícias relacionadas

Vassalagem diplomática

Vassalagem diplomática

Duda Teixeira
29.05.2026 03:30 7 minutos de leitura
Visualizar notícia
Uma legítima foto histórica e suas imitações baratas

Uma legítima foto histórica e suas imitações baratas

Paulo Roberto de Almeida
29.05.2026 03:30 5 minutos de leitura
Visualizar notícia
O problema final de Flamengo e Palmeiras

O problema final de Flamengo e Palmeiras

Rodolfo Borges
29.05.2026 03:30 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
A sorte sorriu para Lula, mas o eleitor bocejou

A sorte sorriu para Lula, mas o eleitor bocejou

Roberto Reis
29.05.2026 03:30 5 minutos de leitura
Visualizar notícia
Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso