Crusoé
03.04.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Edição Semana 401

Até aqui tudo bem, mas e a aterrissagem?

O diagnóstico aqui é claro: sem mudança de rumo, teremos problemas

avatar
Roberto Ellery
5 minutos de leitura 02.01.2026 03:30 comentários 1
Até aqui tudo bem, mas e a aterrissagem?
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

Em uma passagem famosa, Keynes avisa que “no longo prazo estaremos todos mortos” e que, portanto, o longo prazo é um guia enganoso para os assuntos atuais.

O alerta anima há décadas discussões entre economistas e políticos.

Mais do que explorar o conselho keynesiano, quero examinar o contrário: será o curto prazo um bom guia para o longo prazo?

Creio que essa é a pergunta central quando pensamos nas perspectivas da economia brasileira em 2026.

Os indicadores de curto prazo estão, digamos, confortáveis. A inflação segue em trajetória de queda e o mercado espera 4,4% ao fim de 2025, dentro do intervalo da meta.

O desemprego atingiu 5,4% em outubro, o menor da série histórica.

Calcula-se que o PIB tenha crescido cerca de 2,25% em 2025, menos que nos anos anteriores, mas nada desprezível num país de produtividade quase estagnada.

No entanto, quem viu o filme O Ódio (La Haine), de Mathieu Kassovitz, lembra da parábola que abre a obra: um homem cai do 50º andar de um prédio e, a cada andar que passa, repete “até aqui, tudo bem”.

O importante, porém, não é a queda; é a aterrissagem. Os bons números convivem com alertas vermelhos.

A inflação só está domada porque a Selic está em 15%. Por quanto tempo essa taxa é sustentável?

A história brasileira ensina que reduzir juros sem fundamentos fiscais costuma reacender a inflação e exigir, depois, altas ainda mais fortes.

Poucos economistas discordam que o principal fundamento a ser consertado é o fiscal.

Segundo o Tesouro, a dívida bruta deve fechar 2026 em 82,2% do PIB, recorde histórico fora o pico pandêmico de 2020.

Dívida alta pressiona os juros, que por sua vez aceleram a dívida. É uma espiral da qual só se sai com ajuste fiscal sério, exatamente o que o governo Lula já demonstrou não estar disposto a fazer.

Quando perguntam “mas quando isso vai estourar?”, respondo com outra pergunta: "você já perguntou ao seu médico, depois de ouvir que precisa parar de beber, comer doce e fazer exercício, em que ano exatamente virá o infarto?".

Previsão de data é diferente de diagnóstico. O diagnóstico aqui é claro: sem mudança de rumo, teremos problemas.

Os maus hábitos da economia brasileira não se limitam ao problema fiscal. Tem coisa mais séria.

Há décadas a produtividade do Brasil apresenta um crescimento pífio, praticamente estagnada.

Sem produtividade não há crescimento de sustentado de longo prazo, algo que o país precisa desesperadamente.

A literatura indica que má alocação de capital tem um papel relevante para explicar baixa produtividade.

Investimentos ruins prendem capital e trabalho em projetos de baixa produtividade, o retorno às vezes não é suficiente nem para pagar o que foi investido, muito menos dinamizar a economia gerando mais investimentos e mais riqueza.

A experiência brasileira mostra que políticas industriais com base em protecionismo, generosos subsídios e benesses fiscais acabam por direcionar capital e trabalho para projetos de baixa produtividade.

Isso também acontece quando o investimento das estatais é destinado a empreendimentos com mais capacidade de agradar políticos e grupos de interesse do que de gerar ganhos de produtividade ou sociais.

Todos esses “erros do passado” estão sendo repetidos no governo Lula.

Da neoindustrialização à expansão da refinaria Abreu Lima, da crise dos Correios à volta do BNDES estamos vendo um filme que já vimos antes. Não há razão para esperar que desta vez seja diferente.

A deterioração das instituições, ilustrada, por exemplo, no orçamento secreto ou nas relações de ministros do STF com empresários que respondem processos em nossa mais alta corte, também é mal sinal para o crescimento de longo prazo.

Como se o cenário econômico não traga problemas suficientes, temos os desafios da política interna e externa.

Ano de eleições traz incertezas, coisa que o mercado abomina, e é um convite a mais liberalidade fiscal.

O comportamento do mercado sugere que o a expectativa é que o Brasil aguente esperar pelo ajuste até 2027, mas nunca se sabe.

No campo externo a incerteza vem do governo Trump, cujas tarifas e humores podem bagunçar o comércio e os juros globais.

Confesso aqui uma pequena história.

Pedi ao Grok que me ajudasse a lembrar o filme da parábola do homem que cai.

Ele não só achou La Haine como trouxe a frase original: “L’important, c’est pas la chute, c’est l’atterrissage”. Traduzi “atterrissage” como “aterrissagem”. O Grok traduziu como “tombo”. Parece que IA viu mais longe do que eu. Talvez o Brasil até consiga uma aterrissagem controlada, mas, pelo rumo atual, o mais provável é mesmo outro tombo. Resta saber quando.

Roberto Ellery é economista

X: @RobertoElleryJr

As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista

Diários

Ex-assessor de Trump posta "último retrato de Xandão antes da prisão"

Redação Crusoé Visualizar

Lula posa de defensor do Pix

Redação Crusoé Visualizar

Mais um advogado do processo da trama golpista vai se candidatar

Redação Crusoé Visualizar

Deltan lidera corrida ao Senado no Paraná, indica AtlasIntel

Redação Crusoé Visualizar

Argentina expulsa diplomata iraniano

José Inácio Pilar Visualizar

Ozempic que se cuide: vem aí o comprimido emagrecedor

José Inácio Pilar Visualizar

Mais Lidas

Aécio no fim da fila pelo Senado em Minas

Aécio no fim da fila pelo Senado em Minas

Visualizar notícia
Argentina expulsa diplomata iraniano

Argentina expulsa diplomata iraniano

Visualizar notícia
Brasil falha em combater o suborno transnacional, indica OCDE

Brasil falha em combater o suborno transnacional, indica OCDE

Visualizar notícia
Deltan lidera corrida ao Senado no Paraná, indica AtlasIntel

Deltan lidera corrida ao Senado no Paraná, indica AtlasIntel

Visualizar notícia
EUA levantam sanções contra Delcy Rodríguez

EUA levantam sanções contra Delcy Rodríguez

Visualizar notícia
Hezbollah bate, ONU apanha e Itamaraty se cala

Hezbollah bate, ONU apanha e Itamaraty se cala

Visualizar notícia
Lula é o político mais rejeitado, aponta pesquisa

Lula é o político mais rejeitado, aponta pesquisa

Visualizar notícia
Lula posa de defensor do Pix

Lula posa de defensor do Pix

Visualizar notícia
Mais um advogado do processo da trama golpista vai se candidatar

Mais um advogado do processo da trama golpista vai se candidatar

Visualizar notícia
Os "candidatos do Nikolas"

Os "candidatos do Nikolas"

Visualizar notícia

Tags relacionadas

economia

< Notícia Anterior

A mentira de Lula às mulheres

26.12.2025 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

Servidor público precisa de código de ética?

09.01.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Roberto Ellery

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (1)

Clayton De Souza pontes

2026-01-04 08:20:20

A crise dos Correios é emblemática: precisou de empréstimo de 12 bilhões para ter que precisar de mais 8 bilhões no próximo ano. Se fosse empresa privada estaria falida


Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (1)

Clayton De Souza pontes

2026-01-04 08:20:20

A crise dos Correios é emblemática: precisou de empréstimo de 12 bilhões para ter que precisar de mais 8 bilhões no próximo ano. Se fosse empresa privada estaria falida



Notícias relacionadas

Não são só candidatas

Não são só candidatas

Clarita Maia
27.03.2026 10:42 4 minutos de leitura
Visualizar notícia
A indústria das ações trabalhistas e seus incentivos perversos

A indústria das ações trabalhistas e seus incentivos perversos

Letícia Barros
27.03.2026 03:30 4 minutos de leitura
Visualizar notícia
Industrialização! Ora, a industrialização?

Industrialização! Ora, a industrialização?

Roberto Ellery
27.03.2026 03:30 5 minutos de leitura
Visualizar notícia
China captura a OMC

China captura a OMC

Márcio Coimbra
27.03.2026 03:30 5 minutos de leitura
Visualizar notícia

Variedades

Ver mais

Depressão pode ser detectada pelo sangue? Novo estudo surpreende

Depressão pode ser detectada pelo sangue? Novo estudo surpreende

Visualizar notícia
Petrobras aumenta combustível em mais de 50% e pode fazer preços dispararem em todo o Brasil

Petrobras aumenta combustível em mais de 50% e pode fazer preços dispararem em todo o Brasil

Visualizar notícia
Emprego + visto rápido: o país mais feliz do mundo está recrutando brasileiros

Emprego + visto rápido: o país mais feliz do mundo está recrutando brasileiros

Visualizar notícia
O que significa ajeitar o cabelo ou a roupa antes de entrar em uma sala, segundo a psicologia

O que significa ajeitar o cabelo ou a roupa antes de entrar em uma sala, segundo a psicologia

Visualizar notícia
Um médico me disse que essa regra ia me ajudar a voltar a dormir quando eu acordasse às 3 da manhã e funciona mesmo

Um médico me disse que essa regra ia me ajudar a voltar a dormir quando eu acordasse às 3 da manhã e funciona mesmo

Visualizar notícia
15 frases usadas por pessoas mentalmente fortes (que todos nós deveríamos usar)

15 frases usadas por pessoas mentalmente fortes (que todos nós deveríamos usar)

Visualizar notícia

Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso