Michel Jesus/Câmara dos DeputadosO plenário da Câmara vazio: mudança na regra favorece quem tem votos garantidos

O distritão dos coronéis

Por que partidos e políticos que dominam currais eleitorais estão interessados em mudar as regras das eleições de 2022
25.06.21

Uma comissão especial da Câmara dos Deputados deve definir nos próximos dias o texto final da reforma política que pode promover a mais profunda mudança no sistema eleitoral brasileiro desde a redemocratização. Uma alteração, em particular, tem merecido a atenção dos deputados. É o projeto que resgata a proposta do chamado distritão para a eleição de deputados federais e estaduais. A ideia é substituir o atual sistema proporcional, em que as cadeiras no Poder Legislativo são distribuídas de acordo com o número de votos obtidos por partidos políticos, por um sistema majoritário, em que os candidatos com o maior número de votos são eleitos, independentemente das siglas a que pertencem, como já ocorre nas eleições para o Senado.

A mudança favorece os oligarcas da política, celebridades e líderes religiosos, cujos nomes são mais facilmente reconhecidos pelos eleitores – obviamente, deputados do Republicanos, partido ligado à Igreja Universal, estão entre os entusiastas do projeto. O distritão, na verdade, é uma maneira nada sutil de garantir a reeleição dos atuais deputados, especialmente dos chefes partidários. “O distritão ajudaria as pessoas que já estão na política a se perpetuar no poder, reduzindo a renovação”, diz a cientista política Mariana Lopes, que preside o movimento de renovação Acredito.

Dirigentes de partidos nanicos também se animam porque o distritão faria sobrar dinheiro em seus caixas. Explica-se: no modelo atual, as siglas precisam apresentar um número alto de candidatos para conseguir votos suficientes para a eleição de seus filiados, distribuindo o dinheiro do fundo eleitoral para muitos candidatos. Com a mudança, elas poderiam concentrar seus esforços apenas nos candidatos “bons de voto”.

Adriano Machado/CrusoéAdriano Machado/CrusoéLira: tendência é que seja aprovado um modelo misto
Além da ampliação do poder dos coronéis, os aspectos financeiros da proposta também fazem crescer o olho de legendas do Centrão em prol da mudança – e, por isso, o presidente da Câmara, Arthur Lira, resolveu encampá-la num primeiro momento. Líderes do bloco fisiológico acreditam que, com o apoio do governo, devem conseguir os votos para aprovar o novo modelo no plenário da Câmara. O sistema poderia valer já para 2022, a depender da velocidade com que a proposta será examinada pelo Senado. O prazo final é outubro, um ano antes da eleição. Para tentar vencer as resistências dos maiores partidos, a relatora da proposta, a deputada Renata Abreu, presidente do Podemos, tem defendido um modelo misto, em que metade das vagas de cada estado na Câmara seriam definidas pelo distritão e a outra metade pelo atual modelo proporcional. A expectativa é que um consenso possa ser formado na próxima semana.

Atualmente, a Câmara tem três frentes distintas e simultâneas de trabalho que discutem uma reforma política-eleitoral no país. Mudanças específicas são debatidas desde 1996, quando uma primeira comissão especial foi instalada na Câmara para modificar as regras eleitoras. Mas, desde então, nunca se discutiu um conjunto tão grande de alterações de uma só vez como agora. O risco, como sempre, é o de favorecer os atuais caciques políticos. Ou, para variar, beneficiar a impunidade. Na quinta-feira, 24, sem alarde, a Câmara aprovou um golpe na Lei da Ficha Limpa. O projeto permite que gestores que cometeram atos de improbidade e tenham sido punidos “apenas” com multa sejam eleitos. O projeto ainda precisa da aprovação do Senado para entrar em vigor. Quando o plano é legislar em causa própria, o Congresso funciona às mil maravilhas.

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  1. Pela redução do número de parlamentares em, pelo menos, 1/3 dos atuais, e ainda teríamos muito mais do que precisamos. Pelo fim desse sistema atual, e sua substituição pelo VOTO DISTRITAL PURO. Só assim nos livraremos dessa escumalha, que emporcalha o Congresso e as Assembleias Legislativas estaduais. Deus nos livre desses coronéis!

    1. Como você espera que esses vagabundos votem uma lei que diminua seus poderes e privilégios??? É tiro no pé! Nem fod**do...

    2. Implantação do Recall, eliminação dos suplentes, fim das nomeações de parlamentares para cargos nos governos, o que libera a vaga para aqueles que não conseguiram o número de votos para se eleger pelas urnas.

  2. A ESCO RIA SEM CARÁTER TOMANDO CONTA DO PAÍS .ACABARAM COM A LAVA JATO E NOMEARAM OS FICHAS SUJAS PARA DAR ANDAMENTO AO SAQUE DO PAÍS

  3. É uma democracia manca pois os políticos rastaqueras que comandam o parlamento se perpetuam e nada de bom e útil avança com essa corja de oportunistas e corruptos.

  4. Eu concordo com voto distrital. Possibilitar eu conhecer o candidato pessoalmente, o meu voto ir para o meu escolhido e, como diz a própria reportagem, abre caminho para baratear as eleições e como consequência, diminuir a verba eleitoral.

    1. Também só vejo vantagens! Atualmente, votamos em um candidato e, quando ele ganha, leva junto um bocado de tranqueira... Além do mais, muitas vezes um político bem votado perde pra outro que teve muito menos votos! A meu ver, nada disso é democrático. Prefiro ver ganhar quem for mais votado e ponto final!

  5. Uma mudança atrás da outra sem nenhuma discussão com a sociedade. Hitler fez a mesma coisa na Alemanha quando chegou ao poder. A sociedade está apalermada deixando a boiada passar. De não der um basta agora, amanhã poderá ser tarde demais. MS

  6. A cada dia que o fazendão torna-se mais fazendão. A democracia é algo que passa longe dessas fraudes "legitimadas" No fazendão só tem um poder: o judiciário. O resto é pura ficção de undécima categoria. O pior é que a imprensa, inclusive a Crusoé, endossa essa estória de democracia. Para começar nós temos presos políticos. Precisa desenhar!?

  7. Caso esse projeto passe, cabe ao eleitor ficar de olho nos representantes e seus desempenhos. Sendo pífio ou em benefício próprio, é só apresentar cartão vermelho no dia da eleição. Teremos que controlar mais o trabalho do congresso.

    1. Pois é, Maria. Mais um dos inúmeros absurdos que nos são impostos.

    2. ...Ou acabar com as Emendas que permitem ao governo de turno comprar legalmente os votos dos parlamentares enchendo suas caixas e caixinhas?? Ninguém quer, com certeza!

  8. E sobre o fim da reeleição e a instituição do Parlamentarismo, nada? Eis a prova de que é este o sistema, no qual a transparência é inevitável e a prestação de contas obrigatória o melhor também para o Brasil. Não por acaso, é -a exceção apenas dos EUA, o das nações mais cultas e prósperas da terra. Resta mobilização da sociedade neste sentido. Que Deus nos ilumine a todos e um abraço fraterno em agnósticos e ateus! Namastê!

  9. mais uma mudança de legislação idiota. Estes patifes estão embriagados com as mentiras eleitorais e com a hipnose coletiva do dinheiro fácil que brota 'magicamente' nos orçamentos parlamentares deles. Mas nada vem de graça, estes ordinários vão pagar com a vida pelos sangue e suor que eles tem exaurido do povo. Eleição é a morte para ele. Deixemos ver o que as pragas d e2022 nos trará, estou muito ligada na onda de Xiva (minha entidade) preferida no momento atual. A justiça em Brasília é morrer.

  10. A mudança no sistema eleitoral necessita mudar: o número de partidos, pois são as mesmas cores com tons diferentes; limite das reeleição ou interregno de 2 legislaturas para novas candidaturas do mesmo candidato; voto distrital misto; fim do voto em legenda; fim do financiamento público- o partido se sustentara com $ dos filiados;suplentes eleitos terão preferência no pleito seguinte; limite de nr func gabinete; sistema eletrônico auditável. Simples ,não é!??!

  11. O ideal seria o sistema misto: metade por distrito e metade por proporcional, mas com cláusula de barreira para os partidos, sem custeio público!

  12. Eu sou a favor do distritão: os mais votados, os eleitos. Fim do quociente eleitoral e dos “puxadores de voto”. Alguns exemplos: em 2002 Enéas Carneiro foi eleito deputado federal por SP com 1.573.642 votos pelo PRONA, puxou 5, quatro deles com menos de 1.000 votos; em 2010 Marcelo Freixo foi eleito pelo PSOL deputado estadual do RJ com 177,253 votos, conseguiu que Janira Rocha fosse eleita com 6.442. E acredito que com o distritão diminuiria em muito o número de partidos.

  13. No caso de seus interesses eles galopam, no caso de interesse popular, como a prisão em segunda instância, vai para as calendas. SaFAdos !

  14. Os críticos desse modelo dizem q ele enfraquece os partidos. Mas q partidos? Por acaso nós temos partidos q representam de fato as ideias existentes? Coronéis por coronéis, já os temos. Ao menos esse sistema elegerá os + votados de acordo c/ a vontade da população, q estará + bem representada. Eu preferiria a divisão em vários distritos menores ao invés de um só “distritão” equivalente ao Estado, mas como disseram + abaixo, nada mudará enquanto continuarem sempre os mesmos se candidatando.

    1. A obrigatoriedade de estar em um partido, para poder ser candidatar deveria ser extinta. Bem como o indecente fundo partidário.

  15. Então, que venha junto o voto facultativo. Vota quem quiser votar. o congresso é um valhacouto de canalhas onde impera a lei da impunidade, com desvios bilionários de recursos públicos. É o Brasil mostrando a sua cara. É nossa herança portuguesa. tempos mais negros virão. Nem deus (se é que ele existe mesmo) dará jeito nesse país.

    1. Sobre o voto facultativo, nem uma vírgula a favor ...democracia cara essa nossa

  16. Fiquei surpreso e decepcionado com a matéria, pela argumentação inconsistente apresentada. O voto proporcional representa uma distorção grave no nosso sistema eleitoral à medida que os candidatos que receberam mais votos não são necessariamente eleitos, gerando uma distorção clara no desejo expresso de representatividade. As democracias mais tradicionais e sólidas, mormente as anglo-saxãs utilizam o voto distrital puro, que vem se do defendido no Brasil como forma de romper com esse modelo de pe

  17. A reportagem está corretíssima CORONÉIS sim. O sistema está construído para beneficiar os políticos inúteis aqueles que não servem para nada, exceto para roubar. Com está nova forma de eleger os mais votados vão continuar beneficiando os inúteis, com a diferença de beneficiar os endinheirados e os populares, ou seja aqueles que vendem até a mãe para enriquecerem as custas do povo. Realmente somos um povo de bananas que abrir qualquer coisa

  18. Enquanto tivermos elegendo a maioria do que tem de pior na política e na sociedade e aceitando um judiciário completamente engessado por indicações desses mesmos políticos o Brasil será sempre o país onde milhões de pessoas disputam o lixo para sobreviver e assiste os grandes corruptos virando heróis e nossos poucos heróis virando réus, e nada por aqui é tão ruim que os caciques não conseguem piorar , para manter a impunidade e o assalto ao povo , sempre cobrando mais de quem produz .

  19. com certeza os atuais caciques políticos farão valer o seu poder e farão a reforma aí seu Bel prazer e sabe-se o burro povo brasileiro.

  20. Faltou comentar sobre possíveis alternativas, como explicar melhor o voto distrital. Ao que parece, esse “distritão” é melhor do que o atual voto proporcional, em que deputados nanicos são “puxados” por campeões de voto.

  21. A ficha limpa nas mãos do Senado, precisamos pressionar os senadores. O GM está querendo prender o Moro e devolver o$$$ pro Lula

    1. Não falta mais nada.Prender o Moro ? Qual foi seu crime ? Processar e prender um Ladrão como o Lula ????Este Gilmar Mendes é a vergonha Brasileira. E o pior o Lula e outros mais estão achando que ele é um Inocente , assim como um Bebê recem- nascido.Meu Deus que tá injustiça que estamos assistindo . Este Brasil está de cabeça para baixo ou sou eu que está enxergando isto ????

  22. Um desserviço essa reportagem associar distritão com coronéis. Além de usar uma explicação em que as premissas são falsas. O distritão evita que os "bons de voto" elejam quem não tem voto. Ganha tem mais votos, pura e simplesmente. É o mais justo e simples. Hoje, no modelo atual, vota-se em um candidato e os votos nele são "transferidos" para outros que você não desejaria que fossem eleitos, devido ao quociente eleitoral. O modelo proporcional é o que permite eleger trastes que não tem voto.

    1. Não confundir com distrital misto, ou esse modelo misto da reportagem. Tambem não misturar cálculo de votos com distribuição de dinheiro, pois são coisas diferentes.

  23. os EXEMPLOS EXCECRÁVEIS que uma SOCIEDADE tão CORRUPTA é capaz de produzir! São DEGENERADOS MORAIS que IMPEDEM o BRASIL de AVANÇAR! Em 2022 SÉRGIO MORO “PRESIDENTE LAVA JATO PURO SANGUE!” Triunfaremos! Sir Claiton

  24. Eu não vejo o distritão sendo tão ruim, lógico que todos modelos tem seus prós e contras, mas ao meu ver o distritão onde os candidatos eleitos são realmente que recebem mais votos seria um modelo bem mais simples que o modelo atual, onde mais de 80% da população nem sabe como funciona. Seria um primeiro passo para o distrital puro ou misto. Porém nesta reforma já teria que acabar com o suplente, caso o candidato perca seu mandato o próximo candidato com mais votos do partido assume.

    1. Acho que nem na bala.Vc elege um nome novo, quando vê já se locupletou com a corja existente. Só começando do zero ( ou se por uma dobra do tempo o país fosse colonizado por ingleses, holandeses ou mesmo por franceses).😧

    2. ai sim.Somente na bomba e na bala. Porque na lei na era.

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