ReproduçãoO presidente, quando ainda estava no hospital militar: vantagem de Biden aumentou

É a pandemia, estúpido

Donald Trump até que tentou fazer com que economia, lei e ordem pautassem a corrida presidencial americana, mas o coronavírus dominou a cena. Mais ainda depois que ele próprio foi infectado
09.10.20

O anúncio de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contraiu o coronavírus transformou a campanha em uma disputa com um único tema, a Covid-19. Nos dias seguintes, Trump disparou mensagens sobre todos os outros assuntos possíveis. Acusou a imprensa de espalhar fake news, disse que os democratas tentam espionar sua campanha e querem fechar igrejas, ameaçou aprovar um pacote de estímulo da economia por decreto, reclamou da investigação sobre conluio com a Rússia, acusou a existência de fraudes no voto pelo correio, prometeu ajudar companhias aéreas, disse que vai ter racionamento de água na Califórnia e falou da sua indicação para a Suprema Corte. De nada adiantou. Todo mundo só fala da pandemia.

Quando tocou no assunto do momento a contragosto, Trump menosprezou o perigo, repetindo o que já vinha fazendo nos meses anteriores. Falou que as pessoas não devem ter medo do coronavírus e publicou um post dizendo que os americanos se adaptaram à gripe, assim “como nós aprendemos a viver com a Covid, que em muitos lugares é bem menos letal!”. A mensagem foi apagada pelo Facebook e pelo Twitter porque espalhava informação perigosa ou enganosa. Na quarta, 7, Trump voltou a despachar do Salão Oval da Casa Branca, desrespeitando as recomendações de permanecer pelo menos dez dias isolado após o aparecimento dos sintomas. Funcionários e assessores passaram a correr o risco de contágio.

A questão é que, mesmo que o presidente americano trate o coronavírus com desdém, ficou impossível desviar a atenção do problema, principalmente depois que ele foi infectado. “A Covid continua dominando a vida nos Estados Unidos e o fato de o presidente ter sido infectado faz com que isso se torne incrivelmente relevante para os eleitores”, diz o cientista político americano David Peterson, da Universidade Estadual de Iowa. Além de se preocuparem com a questão, os americanos acreditam que Trump contraiu o vírus porque não tomou as precauções necessárias e o culpam pelo que aconteceu. É por isso que, apesar de convalescente, o presidente não despertou uma onda de simpatia no eleitorado. Pelo contrário. A distância dele para o democrata Joe Biden, à frente nas pesquisas, subiu de sete para dez pontos percentuais.

DivulgaçãoDivulgaçãoJoe Biden com a esposa Jill: segundo debate em dúvida
A predominância do tema Covid na campanha americana contrasta com o bordão de que o que importa nas eleições é sempre a economia. Em 1992, o marqueteiro James Carville, que assessorava Bill Clinton, então governador do Arkansas, apostou que o presidente republicano George H. Bush não seria reeleito. O país tinha vencido a Guerra do Golfo, mas a economia estava em crise. “É a economia, estúpido”, disse Carville na ocasião. Clinton foi eleito e a expressão se eternizou. Em várias outras eleições, porém, a economia não cumpriu um papel fundamental. Em 2004, na reeleição de George W. Bush, o filho, o que pesou foi o medo do terrorismo e a oposição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Na eleição de Trump, em 2016, temas como imigração, a perda de empregos industriais para a China e a revolta contra a elite política prevaleceram.

Nas pesquisas feitas neste ano, a economia aparece no topo das listas dos assuntos que mais preocupam os americanos. Mas é preciso interpretar o dado, porque o tema não pode ser dissociado da pandemia. “A Covid é a questão prioritária nesta eleição presidencial. Se as pessoas estão incomumente preocupadas com a economia, é porque a Covid afetou severamente os negócios”, diz o cientista político Seth Masket, da Universidade de Denver. “A doença é um assunto que está constantemente na mente do público, especialmente porque o presidente está doente, e afeta quase todos os americanos de forma muito direta.”

Uma pesquisa do instituto Pew Research mostrou que, para três em cada quatro americanos, a recuperação da economia só pode acontecer com uma redução significativa do número de infectados. Apenas dessa forma as pessoas se sentirão confortáveis para retornar a lojas, escolas, restaurantes e locais de trabalho. A conclusão se ajusta perfeitamente à campanha de Joe Biden, que tem repetido o mantra de que é preciso controlar a pandemia primeiro para a economia crescer depois.

Casa BrancaCasa BrancaAnúncio de Amy Barret para Suprema Corte espalhou o vírus
Hoje, praticamente não há assunto importante que não tenha sido contaminado pelo coronavírus. No debate dos candidatos a vice-presidente, entre o republicano Mike Pence e a democrata Kamala Harris, a Covid foi o principal tópico. Uma das primeiras perguntas foi sobre o evento que ocorreu nos jardins da Casa Branca, no final de setembro, em que o nome da juíza Amy Coney Barrett foi anunciado para a Suprema Corte. O encontro ajudou a espalhar o coronavírus entre as autoridades. Também se especula que a aprovação de Amy, cuja sabatina será na próxima semana, poderá atrasar porque dois senadores republicanos testaram positivo para o coronavírus.

Apesar de ter retornado ao trabalho na quarta, 7, Donald Trump encontrou uma Casa Branca esvaziada. Sua secretária de imprensa, o gerente de sua campanha e o assessor que escreve seus discursos estão com Covid. Vinte funcionários da Casa Branca já foram infectados. O próximo debate, marcado para o dia 15, provavelmente não irá acontecer. A comissão organizadora anunciou que os candidatos terão de ficar debater virtualmente, para proteger a saúde e a segurança dos participantes. Trump ficou furioso e ameaçou não participar. O presidente pode até menosprezar o problema, mas dificilmente convencerá alguém de que a Covid não é a grande questão.

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  1. Tramp já perdeu essas eleições! E perdeu por si próprio, excêntrico, ignorantemente, desrespeitoso para com a nação e prepotente. Há alguma coincidência conosco. Sim, porque a imitação é método que nada nos ensina e nos faz de títeres e ventríloquo mesmo que nada saibamos de idioma anglo-saxînico. Infelizmente observamos esse fenômeno no Brasil e quem perde é toda a nação ardendo suas florestas em fogo talvez numa disputa de salafrários. O Brasil bem quepoderia ser mais técnico em fazer política

  2. Muito tempo gasto para mais uma vez ler as asnices que Duda Teixeira escreve. Essa mesma ladainha progressista foi exaustivamente difundida em 2016, dando como fato consumado a avassaladora vitória da Hillary. O americano que tem neurônios em ordem sabe que o que vale é a oferta de emprego e dinheiro no bolso. Trump fez muito mais pelo país em 47 meses do que o velho caquético em 47 anos.

    1. Ele é um troll que se diverte cagando pelos dedos.

  3. Bye Bye Trump. Seus dias finais chegaram. Os americanos são diferentes dos brasileiros: lá eles não se emocionaram com a contaminação do vírus pelo presidente. Desde a contaminação do vírus, a popularidade do Trump só declina, declina e declina. Chorem bozistas, vocês poderão o dono superior de vocês!

  4. Ô Duda, você é um desinformador cara, porque vc como comentarista internacional ñ está comentando o caso dos documentos desclassificados, que prova que o Rússiagate foi armação da Hillary junto com o Obama, para destruir o Trump?

    1. Bozistas tupiniquins amantes também do agente laranja dos USA são uma verdadeira piada pronta. Refutam qualquer argumento que mostre a verdade e se agarram em qualquer teoria conspiratória mirabolante para defender seus pontos de vistas míopes e distorcidos. Já era para o Trump americano e vai ser pior para o nosso Trump tupiniquim que nem conseguirá terminar seu mandato.

    2. Seguinte meu chapa: auto convide-se,a partir de agora, a ser o pauteiro do jornalista, determinando quais os temas que ele está obrigado a abordar, talkey? Era só o que faltava, o leitor é quem manda né? O mundo tá virado mesmo. apscosta/df

    3. Gilmar, ele não comenta porque a imprensa esquerdista trata o maior escândalo de corrupção (traição, na verdade) da história americana como "teoria da conspiração". É a clássica tática de inverter a realidade dos marxistas, como se credibilidade tivesse o dossiê fajuto do Steele e a investigação levada pelos infiltrados do FBI Strzok, Paige e Comey.

  5. O Trump pode não ser boa companhia, pior será a dos Democratas, sua esquerdalha à lá Sanders e a trava do politicamente correto, pedra de toque do ocaso Ocidental.

  6. Lá, como cá, o negacionismo contribui para a morte de milhares de pessoas. Tomara que mate também as pretensões desses loucos...

  7. Lá, como cá, o negacionismo ajuda a matar milhares. Tomara que mate também as pretensões dos loucos e mentirosos...

  8. O maior vitorioso das próximas eleições: - O Coronavírus implacável, aquele que destrói falácias e charlatões! Kkkkk...segue o vírus

    1. Esse cara aí tá carimbado: gab do carluxo, na certa.

    1. Ta vendo?? São uns otários mesmo.. claro né.. não são eles quem pagam a assinatura né meu chapa?

    1. As viúvas do lula, agora, estão encantadas com o candidato democrata...

    2. Lyandra, recomendo os canais do Tim Pool no YouTube. O Tim é um jornalista de centro-esquerda (inclusive apoiava o Bernie Sanders em 2016), mas que nunca aceitou vender as mentiras dos Dems como a MSM e já percebeu que o Trump é a única alternativa aos neomaoístas que apoiam BLM e Antifa e vão usar o Biden de cavalo de Tróia para destruir os EUA.

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