Crusoé
22.06.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Diários

Uma república moribunda

Aprovação da PEC da Blindagem é o triunfo de uma nova oligarquia cleptocrática, revestida de legalidade e imune à vergonha

avatar
Dennys Xavier
5 minutos de leitura 17.09.2025 14:34 comentários 3
Uma república moribunda
Hugo Motta. Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

No estertor desta República moribunda, enquanto ainda ressoa nas paredes apodrecidas do Congresso Nacional o eco cínico das palmas que aprovaram a chamada “PEC da Blindagem”, também conhecida como “PEC da Bandidagem”, o Brasil vê, sem surpresa, mas com renovado asco, a oficialização do regime de impunidade constitucional.

Como um organismo político que se vacina contra sua própria morte, a Câmara dos Deputados, num pacto transversal entre alas da esquerda e da direita, decidiu erigir um escudo jurídico para proteger seus membros não contra injustiças, mas contra a justiça propriamente dita.

Não é apenas uma manobra legislativa: é um ato ontológico de autodeificação do poder político, que se coloca, sem qualquer traço de vergonha na cara, acima da moral, da lei e do povo. Aqui não estamos diante de mera “imunidade parlamentar”.

Trata-se de uma mutação cretina do princípio da isonomia, isto é, da igualdade perante a lei, substituída agora por um modelo aristocrático invertido, em que os piores governam, se protegem e se absolvem, não pela excelência de suas virtudes, mas pela perversidade dos seus conchavos.

Se, na concepção aristotélica, a politeia é a expressão da razão comum dos cidadãos em busca do bem comum, aquilo que se estabeleceu no Brasil, com a aprovação dessa medida, é o triunfo de uma nova oligarquia cleptocrática, revestida de legalidade e imune à vergonha.

Preparem-se, mais do que já acontece, se essa PEC for efetivamente aprovada e sancionada, viraremos um México em termos de crime organizado no poder.

O crime político, que já era prática constante, agora será prática protegida.

Com a PEC, todo deputado e senador passa a carregar consigo um salvo-conduto que o exime de prestar contas à Justiça, ainda que em flagrante delito.

A Câmara não legislou: autocanonizou-se. Declarou-se santa, inviolável, e, acima de tudo, impune. O que se institucionaliza é o que Ortega y Gasset chamou de “barbárie da especialização”, em que os ocupantes do poder se tornam especialistas em permanecer nele: não para servir, mas para consumir o Estado como um parasita devora seu hospedeiro.

A isso se soma o acesso quase irrestrito aos cofres públicos. Não bastasse a impunidade penal, os representantes do povo se outorgam os direitos de uma casta sacerdotal que, além de não poder ser punida, se apropria livremente do sacrifício alheio.

O dinheiro público não é mais meio de governança: é tributo forçado pago à divindade parlamentar. O cidadão torna-se servo, contribuinte compulsório de uma estrutura que o devora moralmente, economicamente e espiritualmente.

Na contramão do liberalismo clássico, que vê na lei um escudo contra o poder arbitrário, o que temos é a conversão da lei em um artefato de blindagem para o próprio tirano.

Friedrich Hayek ensina que a liberdade só é possível quando o Estado está submetido à lei geral e impessoal. Mas, no Brasil, como se em paródia trágica, a lei tornou-se pessoal, seletiva, desigual.

Tornou-se, para alguns, espada. Para outros, escudo.

Para os políticos, um manto de invisibilidade. Um sistema moral legítimo é aquele que impede a agressão, até mesmo por parte do governo. Ora, que nome se dá a um sistema em que os agressores públicos são protegidos pela própria norma que deveriam obedecer?

Chama-se tirania. Chama-se ... Brasil!

Talvez devêssemos ouvir Sócrates, diante da turba política que hoje ocupa os púlpitos do parlamento: “Prefiro obedecer à verdade a aos homens”.

Sob um governo que prende o justo e liberta o corrupto, o lugar do homem honesto é a rua em protesto pacífico, mas veemente. E talvez seja hora de abandonar a ilusão de que a política brasileira está doente. Ela não está doente. Está em metástase.

A lei, uma vez prostituída, não se cura com reformas, mas com ruptura moral. Não há mais caminho dentro das instituições que foram desenhadas para se protegerem do próprio povo.

A liberdade, nesse cenário, não é mais uma promessa constitucional: é uma insurgência ética. É a escolha de viver como homem mesmo quando o Estado exige que vivamos como súditos.

Este é o tempo do luto republicano.

Mas também pode ser o tempo da alvorada, se tivermos coragem, como no tempo dos gregos, de crer que a verdade ainda pode ser mais forte que a força, e que a justiça ainda pode emergir mesmo do meio do cinismo legislativo.  

 

Dennys Xavier é escritor, tradutor e PhD em Filosofia

X: prof_dennys

Instagram: prof.dennysxavier

 

As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista

Diários

Michelle promete explicar "o que aconteceu no Ceará"

Redação Crusoé Visualizar

O impacto eleitoral do caso Master para Ciro Nogueira

Redação Crusoé Visualizar

"Eu é que fui traída", diz Soraya sobre bolsonarismo

Redação Crusoé Visualizar

A porta giratória de Downing Street

José Inácio Pilar Visualizar

Por que Petro não reconhece vitória de Espriella na Colômbia

Redação Crusoé Visualizar

Crusoé nº 425: Master atinge governo Lula

Redação Crusoé Visualizar

Mais Lidas

A derrota triunfal de Trump

A derrota triunfal de Trump

Visualizar notícia
A porta dos 20% da terceira via

A porta dos 20% da terceira via

Visualizar notícia
A porta giratória de Downing Street

A porta giratória de Downing Street

Visualizar notícia
Acordo de Trump com Irã é pior que o de Obama

Acordo de Trump com Irã é pior que o de Obama

Visualizar notícia
Cronicamente enlameados

Cronicamente enlameados

Visualizar notícia
Crusoé nº 425: Master atinge governo Lula

Crusoé nº 425: Master atinge governo Lula

Visualizar notícia
"Eu é que fui traída", diz Soraya sobre bolsonarismo

"Eu é que fui traída", diz Soraya sobre bolsonarismo

Visualizar notícia
Janaina reclama de interferência do governo Lula na PF

Janaina reclama de interferência do governo Lula na PF

Visualizar notícia
Master atinge governo Lula

Master atinge governo Lula

Visualizar notícia
O Congresso quer gastar

O Congresso quer gastar

Visualizar notícia

Tags relacionadas

PEC da Blindagem

< Notícia Anterior

Quando cairão os juros no Brasil?

17.09.2025 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

Vice de Rubio diz esperar que o Brasil "contenha" o "descontrolado Moraes"

17.09.2025 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Dennys Xavier

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (3)

MARCOS

2025-09-17 19:52:20

NUNCA MAIS VOTAREI. ANULO O VOTO, FALTO ETC... MAS NENHUM LADRÃO VERÁ A COR DO MEU VOTO.


FRUTUOZO BARROS GONÇALVES

2025-09-17 16:22:28

Nos falta a garra dos argentinos para ir às ruas e tocar fogo no parquinho. A que ponto chegamos!!! Que legado deixaremos para nossos filhos e netos? Parece que a única saída para o Brasil é pelo aeroporto. Vade Retro para nossos congressistas, bando de parasitas.


Andre Luis Dos Santos

2025-09-17 15:11:05

Excelente e, infelizmente, trágico.


Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (3)

MARCOS

2025-09-17 19:52:20

NUNCA MAIS VOTAREI. ANULO O VOTO, FALTO ETC... MAS NENHUM LADRÃO VERÁ A COR DO MEU VOTO.


FRUTUOZO BARROS GONÇALVES

2025-09-17 16:22:28

Nos falta a garra dos argentinos para ir às ruas e tocar fogo no parquinho. A que ponto chegamos!!! Que legado deixaremos para nossos filhos e netos? Parece que a única saída para o Brasil é pelo aeroporto. Vade Retro para nossos congressistas, bando de parasitas.


Andre Luis Dos Santos

2025-09-17 15:11:05

Excelente e, infelizmente, trágico.



Notícias relacionadas

Michelle promete explicar "o que aconteceu no Ceará"

Michelle promete explicar "o que aconteceu no Ceará"

Redação Crusoé
22.06.2026 15:47 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
O impacto eleitoral do caso Master para Ciro Nogueira

O impacto eleitoral do caso Master para Ciro Nogueira

Redação Crusoé
22.06.2026 15:42 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
"Eu é que fui traída", diz Soraya sobre bolsonarismo

"Eu é que fui traída", diz Soraya sobre bolsonarismo

Redação Crusoé
22.06.2026 10:51 2 minutos de leitura
Visualizar notícia
A porta giratória de Downing Street

A porta giratória de Downing Street

José Inácio Pilar
22.06.2026 10:46 4 minutos de leitura
Visualizar notícia
Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso