European Leagues, organização que representa 35 ligas profissionais do continente, publicou nesta semana uma nota oficial endurecendo o tom contra a administração da FIFA. O documento condena a recente proposta comercial abandonada pela entidade e também eleva a pressão política sobre o presidente Gianni Infantino.
A nota, divulgada nas redes sociais, descreve o plano da FIFA Forward Enterprise (FFE), que previa a venda de participações nas atividades comerciais da entidade a investidores privados, como uma “ideia perigosa” e “mal concebida”.
Dúvidas sobre a liderança da FIFA
Segundo as ligas, a rejeição avassaladora ao projeto por parte de confederações, clubes e jogadores levanta “sérias questões sobre a governança, a cultura interna e os processos de tomada de decisão da FIFA”.
A organização afirma que o abandono da proposta foi o “único desfecho lógico”, mas alerta que os danos à confiança no órgão máximo do futebol já foram feitos.
Oposição à expansão
Além da crise institucional, a European Leagues atacou a nova investida da FIFA para expandir a Copa do Mundo de 2030 para 64 seleções. O texto critica o “prazo de avaliação inviavelmente curto” de apenas quatro semanas imposto pela entidade para consulta sobre o tema, denunciando a falta de diálogo com as partes diretamente afetadas.
“Não se pode permitir que a FIFA continue tomando decisões unilateralmente disruptivas”, diz a nota, que estabelece um ultimato: sem uma reforma que inclua um compromisso juridicamente vinculativo com as partes interessadas, as ligas europeias rejeitarão qualquer expansão ou criação de novas competições pela FIFA.
Nota vem após ofensiva da UEFA
A publicação da nota ocorre em meio a uma semana turbulenta para a administração de Infantino. A UEFA, que liderou a revolta contra o plano FFE, já declarou publicamente ter “perdido a confiança” no presidente da FIFA e enviou uma carta formal ameaçando ações legais, arbitragem e queixas regulatórias.
A entidade europeia exigiu ainda a preservação imediata de todos os documentos relacionados ao plano fracassado, sob risco de acusação de destruição de provas.
Enquanto a pressão interna na Europa se consolida com a adesão de federações como as do País de Gales, da Finlândia e da Suécia, que já anunciaram que não apoiarão a reeleição de Infantino em 2027, o presidente da FIFA enfrenta um dos momentos de maior isolamento político de sua gestão.
A combinação de boicote esportivo, ação antitruste na Europa e perda de apoio político desenha um cenário de incerteza sobre o futuro da liderança da entidade.







