Um fragmento de foguete da SpaceX, lançado ao espaço em janeiro de 2025, colidiu com a superfície da Lua na madrugada desta quarta-feira (05), abrindo uma cratera de aproximadamente 18 metros de diâmetro. O impacto, confirmado pela NASA, ocorreu às 06h35 UTC (02h35 horário de Brasília) perto da Cratera Einstein.
O objeto, identificado como o segundo estágio de um foguete Falcon 9, atingiu o solo lunar a uma velocidade estimada de 8.700 km/h. A colisão liberou uma energia cinética equivalente à explosão de cerca de 3 toneladas de TNT, vaporizando parte do foguete e do rególito lunar.
Origem do detrito
O estágio superior do foguete foi lançado em 15 de janeiro de 2025 a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, em uma missão que transportava aterrissadores comerciais, incluindo o Blue Ghost da Firefly Aerospace.
Após cumprir sua função, o componente de aproximadamente 12 metros de comprimento e 4 toneladas permaneceu à deriva em uma órbita terrestre elíptica.
Segundo especialistas, uma combinação de atividade solar e interações gravitacionais alterou a trajetória do objeto ao longo de 18 meses, tornando a colisão com a Lua inevitável. O astrônomo Bill Gray, que rastreou o fragmento usando o software Project Pluto, calculou o impacto com 99,3% de precisão.
Confirmação por telescópio
Embora nenhum telescópio tenha capturado o flash do impacto diretamente, o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul detectou uma pluma de gases contendo sódio e lítio estendendo-se por dezenas de quilômetros, confirmando a vaporização do material.
Dias após o evento, a sonda Danuri, da Coreia do Sul, e o Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) da NASA obtiveram imagens de alta resolução que revelaram a nova cratera.
Enquanto a NASA estima o diâmetro em 18 metros e a profundidade de 3,5 a 4 metros, algumas simulações sugerem que a estrutura oca do foguete pode ter gerado uma cratera dupla ou atingido até 30 metros de largura.
Preocupação com lixo espacial
Este evento marca o segundo impacto conhecido de um objeto artificial na Lua, após um incidente semelhante envolvendo um estágio de foguete chinês em 2022. Com cerca de 3.000 objetos feitos pelo homem já presentes na superfície lunar, cientistas e agências espaciais alertam para os riscos que podem ameaçar futuras missões.








