Toffoli explicou tudo, menos o inexplicável
Apesar de confirmar, com nota, que precisa se explicar sobre caso do Master, ministro não explicou decisões mais estranhas e problemáticas
A nota publicada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli (foto) sobre o caso do Banco Master indica por si só que há algo de errado com a condução do processo.
Mas a mensagem passada pela nota é muito pior do que isso, porque o relator do caso Master tentou explicar tudo, menos as questões mais problemáticas de sua errática condução do caso, que foram simplesmente omitidas e ignoradas.
Toffoli destacou, em negrito, que foi sorteado como relator da Operação Compliance Zero, o que não dissipa a dúvida perpétua sobre a obscura — e geralmente conveniente — distribuição dos casos no STF.
Sigilo
Oo ministro também disse, ao tentar justificar a condução do processo pelo STF, que manteve e validou "todas as medidas cautelares já deferidas, bem como o sigilo que já havia sido decretado pelo juízo de primeiro grau, a fim de evitar vazamentos que pudessem prejudicar as investigações".
O sigilo imposto por Toffoli ao caso não permite sequer o acompanhamento de seus despachos, contudo.
O ministro disse ainda que "as oitivas dos presidentes dos bancos envolvidos no caso e do diretor do Banco Central responsável pela fiscalização das instituições ocorreram no dia 30 de dezembro de 2025, inclusive com a acareação, que se mostrou necessária, entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa".
E a acareação?
O que Toffoli não disse é que sua determinação de acareação original envolvia um diretor do Banco Central, o que promoveria um inédito confronto entre investigador e investigado, e que ele não consultou o Ministério Público sobre isso.
O relator do caso do Master também não mencionou que a Procuradoria Geral da República (PGR) se manifestou contra essa acareação mesmo sem ser consultada, e que, ainda assim, ele manteve a determinação.
O confronto entre diretor do BC e o dono do Master só não ocorreu porque Toffoli recuou na véspera e delegou à Polícia Federal a tomada dos depoimentos e a decisão sobre as consequentes acareações.
Recuos
Esse foi apenas um dos recuos do ministro nesse caso, e nenhum deles foi abordado na nota publicada na quinta-feira, 29.
Toffoli não explicou por que determinou que as apreensões da segunda fase da Compliance Zero fossem lacradas no STF, e nem por que voltou atrás na decisão, determinando o encaminhamento das provas à PGR, e não à PF.
Também não mencionou a inusual decisão de apontar quatro agentes da PF para fazer a perícia dos materiais coletados, nem a bronca que deu nos investigadores por demorarem mais de 24 horas para deflagrar a segunda fase da operação.
Enfim, apesar de confirmar que precisa se explicar sobre um caso no qual seus parentes teriam interesse direto, por fazer negócios com o Banco Master, Toffoli não explicou suas decisões mais estranhas e problemáticas.
Por que será?
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