Todos os apelidos de Frei Chico
Irmão de Lula tem sobrenome diferente dos irmãos, ganhou alcunha na época dos sindicatos e, segundo Alexandrino Alencar, estaria nas planilhas da Odebrecht

Frei Chico, o irmão mais velho do presidente Lula (na foto, em 1969), é uma pessoa com múltiplos nomes e sobrenomes. E um não tem a ver com o outro.
Seu nome de batismo é José Ferreira da Silva, o que constrasta com seus irmãos, que trazem "Inácio da Silva" no sobrenome.
Xará na família
A questão é que a família já havia registrado outro irmão com o nome de José Inácio da Silva.
Frei Chico, então, ganhou um sobrenome totalmente diferente: "Ferreira da Silva".
Quem explica é o jornalista José Nêumanne Pinto, no livro O que sei de Lula.
"Este é outro hábito nordestino: os clãs rurais do Nordeste costumam registrar seus membros sem muita fidelidade às normais adotadas nas áreas urbanas. Nem sempre irmãos têm a mesma denominação familiar. Há até quem, principalmente entre as mulheres, nem sobrenome venha a ter. E é muito comum que seja alterada a regra canônica de o sobrenome do ascendente feminino anteceder o masculino. Não é raro que uma criança seja batizada e registrada com um nome e chamada de outro", escreveu Nêumanne.
Um exemplo é a irmã Ruth, que é chamada de Tiana (de Sebastiana).
Frei
Desde pequeno, José era chamado de Ziza no núcleo familiar.
O apelido de Frei Chico vem da época dos sindicatos, em que ele atuava como membro do Partido Comunista Brasileiro, o PCB.
Era uma referência à sua careca, que parecia a de um frei franciscano.
Metralha
Por fim, Frei Chico aparentemente ganhou o apelido de Metralha nas planilhas de Odebrecht, como admitiu o ex-presidente da empresa Alexandrino Alencar, em delação premiada na Lava Jato.
Sua relação com a empreiteira é contada no livro A Organização, da jornalista Malu Gaspar.
"Sempre que havia insatisfação, reivindicação ou greve em qualquer de suas plantas petroquímicas, a Odebrecht acionava o irmão de Lula, que dava um jeito de se aproximar dos operários — naturalmente sem dizer que estava a serviço da empreiteira. Tanto ele como a direção da Odebrecht sabiam que boa parte das reivindicações em uma greve servia apenas para 'engordar a pauta' e dar aos sindicatos margem de manobra durante as negociações", escreve Malu.
"Frei Chico mapeava essas filigranas e, ao chegar das viagens, dizia a [Alexandrino] Alencar o que tinha que ser feito para acabar com a greve. Era um arranjo duplamente útil."
Após a eleição de Lula, em 2002, a Odebrecht cancelou a "consultoria" de Frei Chico, mas teria continuado pagando uma mesada para sustentá-lo, como afirmou Alencar em suas delações.
Nas planilhas do Departamento de Operações Estruturadas da companhia, que cuidava dos pagamentos no caixa dois, Frei Chico aparecia como "Metralha", de acordo com Alencar.
O apelido possivelmente é uma referência aos três Irmãos Metralha, dos gibis da Disney, os quais passavam boa parte do tempo tentando roubar o caixa forte do rico Tio Patinhas.
Leia em Crusoé: A influência de Frei Chico sobre Lula
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