Senadora paraguaia não esquece de Mbappé: "Filho da p..."
Deputada criticou postura do atacante francês ao se recusar a cumprimentar o goleiro Orlando Gill
A senadora paraguaia Celeste Amarilla parece não ter se esquecido do atacante francês Kylian Mbappé.
Em discurso no Parlamento paraguaio nesta quarta, 8, ela chamou o jogador de "filho da p..." por ter se recusado a cumprimentar o goleiro Orlando Gill após a classificação da seleção francesa às quartas de final.
"(...) E quando Orlando Gill, um jovem, um jovem que seguramente... primeira vez que pisou no Mundial. Estava jogando perante o mundo. E estende as mãos com toda a humildade do paraguaio, com toda a humildade do paraguaio e este filho da puta se nega a dar a mão e grita em sua cara. Isso não é um francês."
Quando o árbitro apitou o fim da partida, Mbappé passou na frente de Gill gritando para a torcida francesa.
Em seguida, o goleiro jogou a bola nas costas do francês, que não respondeu.
Ofensas racistas
O novo comentário ocorre dias após Celeste proferir ofensas feitas após a derrota da seleção do Paraguai para a França nas oitavas de final.
Na terça, 7, a senadora afirmou que suas declarações foram feitas “de cabeça quente”, mas alertou o jogador para que não voltasse a subestimar os paraguaios e lembrou o episódio da prisão do ex-jogador brasileiro Ronaldinho Gaúcho, em 2020, no Paraguai.
"Não se meta com os paraguaios, Mbappé. Nós já mandamos o Ronaldinho para a cadeia“, disse a parlamentar.
Carta aberta
A senadora já havia publicado uma longa e confusa carta para rebater a resposta de Mbappé. Na mensagem, Amarilla diz que seus posts ofensivos “estavam repletos de sangue fervendo, esse sangue misto, uma bela mistura de sangue indígena com sangue espanhol que corre em minhas veias” e alega ter se arrependido de tratar o francês “com os mesmos insultos que recebo, porque eu também sou desprezada por ser mestiça e latina; somos chamadas de sujas”.
Mas a parlamentar confunde o momento em que Mbappé reclamou do “jogo sujo” dos paraguaios, dizendo que o comentário foi feito antes da partida, e não depois.
“Não somos bobos; entendemos perfeitamente que a sujeira era da seleção paraguaia e que todos nós fazemos parte da seleção paraguaia. Depois, você disse que iriam remover a maquiagem. Nós também entendemos isso, que você fica tão elegante com maquiagem, e nós, pobres e rudes como somos, nem sabemos o que é. Todo o Paraguai ficou em silêncio, eu inclusive. Aceitamos numa boa”, comenta Amarilla na carta aberta, numa análise maliciosa sobre as palavras de Mbappé.
“Durante a partida, seu comportamento arrogante foi evidente, seu desprezo por cada jogador, como se fossem repugnantes, e sem nem cobrir a boca, quando disse ‘la concha de tu madre’, uma expressão extremamente agressiva na América Latina, e você sabe disso”, reclamou a senadora.
“Violência de gênero”
“Agora, exijo que você também retire sua declaração e me peça desculpas. Eu também não tolerarei sua violência. Você não me conhece, não tem ideia de quem eu sou e não tem o direito de me chamar de mulher desprezível, indigna do cargo que ocupo”, cobrou a parlamentar, finalizando:
“Quem você pensa que é para me chamar de indigna ou desprezível quando nem sequer me conhece?! Violência pura e simples! Violência política contra uma mulher que chegou onde está com o voto popular do seu povo. Você me despreza por causa do meu gênero; você me ofende porque sou mulher. Você não está atacando a cor da minha pele, minhas preferências, minha condição de mulher ou minha posição política. Retire sua declaração, honre sua cidadania francesa e peça desculpas, caso contrário, poderei tomar medidas legais por violência de gênero.”
Macron parabeniza Mbappé
Na segunda, 6, o presidente da França, Emmanuel Macron, parabenizou o jogador pela resposta à senadora paraguaia, que disse o seguinte sobre o craque da França, entre outras ofensas:
“Esse bruto nem aprendeu a escrever. Em vez de leite materno, mamou em cocos, e os seres mais instruídos que ouviu foram chimpanzés.”
Leia mais: “Não é inédito”, diz FIFA sobre suspensão de punição de Balogun
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)