Quem ganha na briga entre nacionalismo petista e bolsonarista
O presidente Lula defendeu o investimento na indústria militar durante Convenção do PT em São Paulo que lançou sua candidatura
O presidente Lula (foto) encerrou a Convenção do PT em São Paulo neste domingo, 2 de agosto, segurando uma bandeira do Brasil ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin.
Na plateia, uma enorme bandeira do país foi erguida pelos militantes.
O petista tem investido no nacionalismo em busca de votos, aproveitando-se do impopular tarifaço de Donald Trump, que contou com o apoio dos bolsonaristas.
Mas Lula também tem reivindicado a necessidade de preservar a soberania com a produção e o uso de armas.
"Eu quero pedir para a esquerda, para mulheres e homens, parar com essa bobagem de achar que a gente não tem que ter preocupação com a Defesa. Este país tem 16,8 mil quilômetros de fronteira seca. Tem 8 mil quilômetros de fronteira marítima. Além da nossa fronteira, nós temos 5,7 milhões de quilômetros [quadrados] de água sob a nossa responsabilidade. Este país tem a maior floresta tropical do planeta. Este país tem 12% da água doce do mundo. Tem uma riqueza mineral que a gente não sabe quanto temos. E este país tem 210 milhões de preciosidades: homens, mulheres e crianças que nascem neste país. E nós precisamos investir na Defesa. Eu quero estar preparado para que ninguém invada este país para levar o presidente, como eles invadiram [a Venezuela]", disse Lula.
Não há o menor risco de os Estados Unidos capturarem um presidente brasileiro, como foi feito com o ditador Nicolás Maduro. Mesmo assim, Lula usou o sequestro do venezuelano como argumento.
"Eu quero estar preparado para a paz, não é para a guerra. Quero estar preparado para ninguém ousar se fazer de besta conosco. Então é importante saber que nós precisamos investir na indústria da defesa. O Aloizio Mercadante, do BNDES, está ajudando e vai ajudar mais. A Europa agora, depois da guerra da Ucrânia, está investindo 800 bilhões de euros. A Inglaterra está investindo. O Japão está investindo. A Alemanha está investindo. E nós?", afirmou o petista.
"Por que um país do tamanho do Brasil não tem uma fábrica de drone? Se você não tiver drone você não controla a fronteira", perguntou o presidente.
O nacionalismo petista, contudo, é de uma verve diferente do nacionalismo patriota.
O nacionalismo dos bolsonaristas começou a crescer ainda nos protestos populares de 2013, às vésperas da Copa do Mundo. Naquela época, havia a sensação de que o Brasil, durante o governo de Dilma Rousseff, estava alinhando-se servilmente a ditaduras de esquerda da América Latina, enquanto uma elite governamental pilhava o patrimônio público.
Agora, o nacionalismo petista resgata o antigo antiamericanismo da esquerda.
Mas, não importa o tipo de nacionalismo, seu resultado é o fortalecimento dos militares e o enfraquecimento da sociedade civil.
Nos anos de Jair Bolsonaro, em que os bolsonaristas fizeram manifestações na frente de quartéis, militares ocuparam cargos no governo e conseguiram uma reforma da previdência mais branda.
Com Lula, o jogo é mais pesado. O petista quer direcionar verbas públicas para as indústrias militares, abrindo espaços para desvios.
Até mesmo o candidato Renan Santos, da Missão, entra nesse jogo, ao defender a ação de militares para recuperar a soberania de territórios que foram perdidos para o crime organizado.
Todos eles querem dar um papel maior às Forças Armadas.
Os militares são fundamentais para o Brasil, mas têm um papel a cumprir, que está estabelecido na Constituição.
Não cabe a eles o trabalho administrativo, criar empregos, movimentar a economia ou atacar facções criminosas.
O problema é que, quando a confiança nas instituições democráticas se esvai e a descrença com os políticos cresce, o nacionalismo ganha corpo. E, com ele, o militarismo.
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