Quem é o 'Rei do Norte', o novo primeiro-ministro britânico
Andy Burnham tomou posse como premiê do Reino Unido nesta segunda, o sétimo líder do país em uma década, sucedendo Keir Starmer
Andy Burnham tomou posse nesta segunda-feira (20) como primeiro-ministro do Reino Unido, após reunião protocolar com o rei Charles III no Palácio de Buckingham. Ele é o sétimo chefe de governo britânico em uma década e sucede Keir Starmer, que renunciou em meio à queda de popularidade e à pressão interna do Partido Trabalhista.
A transição seguiu o rito tradicional: Starmer apresentou a renúncia ao rei, que em seguida convidou Burnham a formar governo. Depois da cerimônia, o novo premiê discursou em frente ao número 10 de Downing Street.
Ex-prefeito da Grande Manchester, Burnham, de 56 anos, construiu reputação de defensor das regiões fora de Londres, o que lhe rendeu o apelido de "rei do Norte".
Ele chegou ao cargo sem disputa interna, prometendo um "reequilíbrio de poder" que descentralize decisões hoje concentradas em Westminster e ofereça resposta às comunidades atraídas por Nigel Farage e pelo Reform UK.
O novo gabinete ainda não foi anunciado oficialmente, mas a formação vem sendo tratada com sigilo incomum, restrita a um pequeno círculo de aliados de confiança. A expectativa é que James Purnell, ex-ministro e amigo próximo de Burnham desde os tempos de Tony Blair, assuma a chefia de gabinete em Downing Street, cargo estratégico que coordena o dia a dia do governo e define prioridades.
Purnell, de 56 anos, foi ministro de Cultura e de Trabalho e Pensões nos governos de Tony Blair e Gordon Brown (final dos anos 1990 e 2000). Ele representa a corrente centrista do partido, que combinava políticas sociais com disciplina fiscal, abertura ao mercado e pragmatismo, o que ajudou os trabalhistas a vencer eleições após anos na oposição, mas que também é criticada por parte da esquerda por ter sido excessivamente conciliadora com o setor privado.
Sua chegada sinalizaria, portanto, uma linha de continuidade com essa vertente moderada e experiente, priorizando estabilidade administrativa e controle de gastos, em vez de uma guinada mais à esquerda.
A principal incógnita é o futuro de Rachel Reeves no Tesouro. Reeves, atual chanceler do Erário desde 2024, é conhecida por defender rigor fiscal, regras de equilíbrio orçamentário e controle de gastos públicos, postura que ajudou a estabilizar as finanças após a crise de confiança no governo anterior, mas que também gerou críticas por austeridade em áreas como saúde e habitação.
Relatos indicam que ela pode deixar o posto, embora aliados defendam sua permanência por simbolizar estabilidade. Nomes como Ed Miliband (mais progressista, com foco em clima e intervenção estatal), Yvette Cooper (moderada e experiente), Shabana Mahmood e Wes Streeting (pragmático, com destaque em saúde) também são cotados para o posto.
Em relação à gestão Starmer, Burnham sinaliza mudanças de tom mais do que ruptura total, aliando um possível recuo do polêmico projeto de identidade digital, novo enfoque em habitação, saúde e imigração, e maior abertura para taxar grandes fortunas.
O novo primeiro-ministro herda uma economia de crescimento fraco, ainda que superior à da zona do euro, pressão fiscal, tensões com Donald Trump, juros em alta e o desafio de conter o avanço eleitoral de Farage antes das próximas eleições gerais. Farage já classificou o discurso de posse como "vazio" e questionou a legitimidade do mandato de Burnham.
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