Por que Trump quer um novo bunker na Casa Branca?
Presidente americano anunciou que salão de baile funcionará como um escudo para um complexo militar subterrâneo
O anúncio do presidente americano Donald Trump (foto) de que está construindo um complexo militar debaixo de um salão de baile na Casa Branca só pode preocupar ainda mais os americanos.
A bordo do avião Air Force One na noite de domingo, 29, Trump disse a jornalistas que o salão de baile, que já tinha sido anunciado, funcionará "como um escudo" de um complexo militar subterrâneo.
“Temos vidros à prova de balas, telhados e forros à prova de drones. Infelizmente, estamos vivendo em uma época em que isso é uma coisa boa”, afirmou o presidente.
Trump mostrou várias imagens de um projeto do salão de baile, e lamentou que não tenha muito tempo para se dedicar à ideia, porque está "lutando guerras e outras coisas".
Construir um complexo militar debaixo da Casa Branca manda uma péssima mensagem para a população americana, que votou no republicano, em grande parte, porque ele prometia acabar com as "guerras inúteis".
Afinal, a construção do bunker seria um sinal de que os Estados Unidos estão entrando em uma nova fase de insegurança, deixando a população vulnerável?
Até onde ele pretende ir com essa guerra?
Guerras inúteis
Trump decidiu bombardear o Irã sem um motivo claro.
O líder supremo Ali Khamenei foi eliminado em 28 de fevereiro. Desde então, a guerra se espalhou para outros países, levando ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do tráfego de petróleo do mundo.
Neste momento, os Estados Unidos estão enviando navios de guerra e fuzileiros para a ilha de Kharg, onde fica o principal terminal de petróleo do Irã.
Cerca de 90% do petróleo do Irã vem de um terminal nessa ilha e é transportado por oleodutos pelo fundo do mar, ao longo de 24 quilômetros.
Em entrevista ao Financial Times, Trump disse que pretende tomar a ilha, o que "significaria que nós teremos de ficar lá por um tempo".
O porta-voz do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibag, avisou que está esperando os soldados americanos e que fará chover fogo se ocorrer qualquer tentativa de entrar em território iraniano.
A guerra, assim, só deve piorar.
Rejeição
O intervencionismo no exterior, sem data para acabar, é exatamente o oposto do que ele vendeu aos eleitores na campanha.
O caos no Oriente Médio fez o preço da gasolina nos postos de combustível subir 38% nos últimos 30 dias.
Pesquisa da Pew Research da semana passada aponta que 61% dos americanos rejeitam a maneira como Trump está lidando com o conflito. Apenas 37% aprovam.
Cerca de 40% acham que Trump deixa o mundo menos seguro do que antes; outros 22% acham que é o contrário.
O impacto na aprovação de Trump caiu de 50% no início do seu segundo mandato para os atuais 35%.
Com um governo sendo reprovado, há um sério risco de os republicanos perderem a maioria na Câmara dos Deputados e no Senado nas eleições legislativas deste ano.
Roosevelt
A Casa Branca já tinha um bunker, conhecido como Centro de Operações de Emergência do Presidente (PEOC, na sigla em inglês).
O espaço foi construído a mando do presidente Franklin Roosevelt após o ataque japonês a Pearl Harbor, que levou à entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.
Quando ocorreram os ataques terroristas da Al Qaeda em 11 de setembro de 2001, o vice-presidente Dick Cheney e membros do governo se refugiaram nesse lugar.
Mas o bunker foi recentemente demolido para a construção do salão de baile, a pedido de Trump.
No início deste ano, reportagens de imprensa comentaram que havia construções no local, mas que tudo estava sendo tratado com sigilo total.
No domingo, 29, Trump acabou com o segredo e falou abertamente de seus planos para jornalistas.
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