Por que os bolivianos suspeitam do argentino das urnas
Crusoé obteve a denúncia apresentada contra Fernando Cerimedo com relato da companheira sobre "emboscada"
O Ministério Público da Bolívia acusou o argentino das urnas, Fernando Cerimedo, de planejar uma emboscada contra sua companheira, Nadia Beller, vítima de um atentado em Santa Cruz de la Sierra, na segunda, 17.
Crusoé obteve a denúncia formal apresentada pela Procuradoria de Santa Cruz contra Cerimedo, que contém o relato da mulher sobre o ataque.
Segundo Nadia, Cerimedo teria pressionado para que ela fosse a um encontro sob o pretexto de obter informações sobre um suposto caso de estupro envolvendo o ex-presidente da Bolívia Evo Morales e uma menor de 13 anos.
Insistência
“Meu companheiro Fernando Cerimedo [...] me disse que conhecia o caso e insistiu para eu ir. Depois que me plantaram duas vezes, eu não quis mais. Ele continuou falando: ‘vai, vai’", diz um trecho do relato.
Grávida de quatro semanas, Nadia afirma que Cerimedo, que trabalha com o governo boliviano e recebe informações de inteligência, conhecia o caso, mas não tinha acesso às provas.
“Por último eu perguntei: ‘não será você que quer se livrar de mim? Porque você está numa situação delicada e estamos esperando um bebê’. Estou com um mês de gravidez e tivemos várias brigas por isso.”
Ela também relata que já havia ocorrido um episódio anterior de violência envolvendo Cerimedo.
Segundo Nadia, em determinado momento, ela chegou a ameaçar tornar o episódio público.
Quando já havia desistido de ir ao encontro, por ter achado estranho que as pessoas não aparecessem, Cerimedo teria dito: “Me ajuda com o Evo.”
“Ele disse que ia mandar escoltas para me proteger. Eu saí na porta do hotel e apareceram os dois da moto. Atiraram direto em mim. O custódio não fez nada.”
O número do telefone
Nadia afirma que passou a Cerimedo o número de telefone da pessoa que supostamente forneceria as informações, para que ele pudesse rastreá-la.
Segundo a mulher, o companheiro nunca deu resposta.
A pessoa que entregaria as informações também não apareceu. “Chegaram os sicários.”
No primeiro disparo, levaram seu celular. Nos outros dois, sua bolsa.
Cerimedo foi detido no aeroporto de Viru Viru, quando pretendia embarcar em um voo da companhia Aerolíneas Argentinas com destino a Buenos Aires.
Pedido de prisão
A Promotoria boliviana pede a prisão preventiva de Cerimedo sob a alegação de que ele é argentino e não possui residência comprovada na Bolívia.
Aos policiais, o consultor político afirmou morar no Edifício Arboleda, em Calacoto, La Paz.
Os agentes, porém, não conseguiram confirmar com vizinhos se ele de fato reside no local.
“Embora manifeste que vive em Calacoto, Edifício Arboleda, em La Paz, não se tem maior informação de vizinhos que permita corroborar a habitabilidade e habitualidade do imputado nesse domicílio", diz o documento.
Após o ataque, Cerimedo tentou embarcar em um voo, mas foi impedido no aeroporto. A acusação considera a tentativa de deixar o país um ato preparatório de fuga.
O documento também sustenta que, caso permaneça em liberdade, Cerimedo poderá interferir na produção de provas ou no depoimento de testemunhas.
“Requeremos que se imponha ao imputado Fernando Gabriel Cerimedo a medida excepcional de detenção preventiva no centro de reabilitação San Pedro-Chonchocoro, da cidade de La Paz, sem prazo, por se tratar de um delito que não admite outra medida cautelar diferente da detenção preventiva, ou, no seu caso, o prazo máximo de 180 dias.”
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