Pentágono procura Ford e GM para fabricar armas
Queda dos estoques militares leva os EUA a buscar ajuda de montadoras para ampliar a produção de mísseis, drones e veículos de guerra
O Pentágono iniciou conversas com executivos da Ford, GM e outras empresas do setor automotivo e aeronáutico para avaliar se parte da capacidade industrial dessas empresas pode ser usada na fabricação de armas, munições e veículos militares.
A iniciativa, que já vinha sendo discutida, ganhou força diante do desgaste dos estoques americanos após anos de apoio militar à Ucrânia e da recente guerra com o Irã.
As conversas, segundo o Wall Street Journal, ainda são preliminares, mas indicam uma possível mudança importante na política industrial dos Estados Unidos. Autoridades de defesa querem saber se fabricantes civis conseguiriam adaptar linhas de montagem, funcionários e fornecedores para atender pedidos militares em ritmo acelerado.
O governo também tenta mapear barreiras regulatórias, exigências de contratos e dificuldades de licitação que podem atrasar a entrada dessas empresas no setor.
A iniciativa remete ao período da Segunda Guerra Mundial, quando as montadoras de Detroit interromperam a produção de carros e passaram a fabricar bombardeiros, motores de aviões, caminhões e tanques.
A Ford chegou a operar a fábrica de Willow Run, em Michigan, que produziu os bombardeiros B-24 em grande escala. A empresa também fabricou milhares de veículos militares usados em conflitos posteriores.
Hoje, a situação é diferente porque a indústria de defesa americana está concentrada em poucas empresas especializadas. Ainda assim, a General Motors já possui uma divisão militar responsável por um veículo leve baseado na picape Chevrolet Colorado e aparece como candidata para desenvolver um novo modelo destinado a substituir o Humvee no Exército americano.
A pressão por mais capacidade industrial ganhou força após o governo Trump pedir um orçamento militar de 1,5 trilhão de dólares para 2027, o maior da história americana. Parte desse dinheiro seria direcionada para drones, mísseis e sistemas de defesa.
O movimento pode abrir uma nova frente de receita para montadoras pressionadas por vendas mais fracas, custos maiores e concorrência chinesa no mercado de veículos elétricos.
Executivos do setor avaliam que a adaptação não seria simples. Produzir carros e produzir mísseis exige cadeias de suprimento diferentes, regras de segurança mais rígidas e componentes mais complexos.
Mesmo assim, o Pentágono considera que recorrer a fabricantes civis pode reduzir a dependência de poucos fornecedores tradicionais e acelerar entregas em caso de conflito prolongado.
Analistas de Wall Street já vinham revisando projeções para Ford e GM por causa da redução de perdas com veículos elétricos e da aposta em segmentos mais lucrativos, como caminhonetes, híbridos e serviços para frotas.
A possibilidade de contratos militares pode dar corpo a esse movimento nos próximos meses.
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