Roque de Sá/Agência Senado

Pacheco articulava nome para comandar a ANTT enquanto segurava CPI

16.04.21 15:05

Ao segurar a abertura da CPI da Covid, antes da determinação do ministro do STF Luís Roberto Barroso pela instalação da comissão, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (foto), mirava a possibilidade de emplacar um ex-funcionário de seu gabinete, Arnaldo Silva Júnior, no comando da Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT.

Crusoé revelou, em sua 154ª edição, que há uma guerra em curso em Brasília pelo controle de linhas interestaduais de ônibus. É um mercado que fatura mais de 7 bilhões de reais ao ano.

No fim de 2020, Pacheco, que vem de uma família proprietária de empresas de ônibus, garantiu, em acordo costurado com o governo, a indicação do então funcionário de seu gabinete para uma das diretorias da agência.

A designação ainda precisa ser votada em plenário e foi uma derrota para o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, que pleiteava que todas as novas vagas de diretores da ANTT fossem preenchidas por nomes técnicos e alinhados ao governo.

Nas tratativas, ao longo do segundo semestre do ano passado, o governo garantiu espaço para o aliado de Pacheco, mas esclareceu que acomodaria Davi Barreto, atualmente um dos diretores da ANTT, no comando do órgão — a direção-geral é ocupada hoje por um interino.

Com a eleição à presidência do Senado, no entanto, as ambições de Pacheco aumentaram. Ele passou a articular para alocar seu aliado no comando da ANTT e não mais em uma das vagas de diretoria. O grupo ligado a Tarcísio enxerga as articulações do presidente do Senado como uma quebra de acordo e uma tentativa do parlamentar de obter o total controle da agência, responsável pela regulação do setor de ônibus.

Esse grupo diz que Pacheco usou o trunfo da CPI para influenciar Bolsonaro a ceder a suas pretensões. O governo, no entanto, não abriu mão de indicar Davi Barreto para a direção-geral, o que fez com que presidente do Senado travasse os exames em plenário dos nomes para a ANTT.

Com isso, o impasse persistiu. Após o ministro Barroso determinar a abertura da comissão, o governo voltou a cobrar a aprovação de Barreto para a direção-geral da agência, já que Pacheco teria perdido sua carta na manga: o poder de negociar com o Planalto tendo, debaixo do braço, um pedido de instauração de CPI.

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  1. O Senador é um bom moça, mas convém ficar atento com suas manobras. Discreto, mas não o suficiente para os bem informados "manjarem" suas manobras.

  2. Eu disse e repito: rodriguim mineirim não é flor que se cheire.Mais um para nós envergonhar.Ele e Aécio Neves : farinha do mesmo saco.NOJO!

  3. Que já se sabia que esse boca mole,olhar de peixe morto,rei do chalala não é inocente como 99% dos politicos,já estävamos certos,agora já está escancarando.

    1. Rio de Janeiro ganha disparado em questão de criar escória. A bem da verdade, a escoria esta instalada em todos os estados e poderes.

    1. Coitado, mimoso. Qual o motivo da sua irritação? Um nativo da Ilha.

    1. Basílio, melhor dizendo, é mais um brasileirim, né? Porque aqui, nesta pindorama destroçada, os ladrões de gravata, a corrupção, o abuso de poder, o toma lá dá cá, os crimes... enfim, não são prerrogativas de nenhum estado. Aqui a bandalheira é tão grande que eles já nem comem quietos mais; comem gargalhando! Concorda?

  4. não irei renovar. a revista enxerga somente um lado da política enquanto o outro se livra da justiça com a complacência editorial.

    1. Antônio quando sai entra dezenas de assinantes deixa de imparcial

  5. Muita gente trabalhando em casa, "se reinventando", o "novo normal" (palavras chatas), pagando internet e energia (do bolso), material para aulas on-line, sendo cobrado, esperando vacina, usando "fucinheira", gastando com "alcugel", desgastando-se com o marido/esposa, risco de "burnout"... e os deuses, o bando de Brasília só na maciota, negociando cargos, influências, poder, maracutaias. Não há mais nenhuma esperança para nós, pobres mortais. Agora você imagine uma CPI da Covid começando assim!

  6. Enquanto não houver uma reforma administrativa e uma reforma política sérias e bem amarradas, esse quadro vai se perpetuar no Brasil. Vergonhoso! 😠

    1. Exatamente. Voto distrital misto, reforma administrativa séria e cadeia para esses bandidos do colarinho branco.

  7. Eita que esse País não tem solução. Lembremos que Pacheco e Lira foram apoiados pelo genocida, logo farinha do mesmo saco, ou melhor: ratos do mesmo esgoto. Lula, Bolsonaro, Lira, Pacheco, tudo 🐀 do mesmo esgoto.

    1. A cada dia ,uma malandragem ,surge . Só pensam em si ...e o país que se dane.

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