Pedro Ladeira/Folhapress

O roteiro da inquirição de Mandetta e Teich na CPI da Covid

04.05.21 07:33

O pontapé inicial para a orientação do uso da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes infectados pelo coronavírus, as falhas na compra de equipamentos de proteção individual, respiradores e testes RT-PCR para a detecção da doença e a pressão política do Planalto sobre o Ministério da Saúde: o roteiro das primeiras inquirições da CPI da Covid é extenso, minucioso e repleto de armadilhas.

A rodada de depoimentos começa nesta terça-feira, 4, às 10 horas, e será inaugurada por Luiz Henrique Mandetta, primeiro ministro da Saúde do governo. Ao fim da oitiva dele, a previsão é de que seu sucessor Nelson Teich preste esclarecimentos. Os questionamentos poderão se estender somente até as 16 horas, quando terá início a sessão deliberativa do Senado sobre vetos presidenciais — por isso, parte dos senadores duvida que as duas oitivas serão mesmo concluídas amanhã.

A obsessão de Jair Bolsonaro pela hidroxicloroquina tende a tomar um bom tempo da sessão. O senador Otto Alencar, do PSD, quer saber o contexto da opção pela orientação para o uso do remédio no tratamento de pacientes diagnosticados com Covid-19.

Pretendo perguntar se a receita foi feita com o presidente consciente de que, àquela época, estudos mostravam que 85% dos infectados pelo novo coronavírus eram assintomáticos ou apresentavam sintomas leves e moderados da doença. A ideia é saber se o presidente sabia que, receitando hidroxicloroquina, teria ganhos políticos grandes, uma vez que essas pessoas poderiam entender que foram curadas graças a um remédio ineficaz”, adiantou, em conversa com Crusoé.

O parlamentar ainda quer entender se Bolsonaro de fato apostou na possibilidade de imunidade do rebanho a partir da contaminação em massa da população,  levantada por aliados como Osmar Terra, e, em razão disso, minimizou a importância do isolamento social e negligenciou a compra de vacinas contra a Covid-19. Nelson Teich, que conduziu as primeiras tratativas sobre a participação do Brasil em testes para a produção dos imunizantes, pode ter a resposta.

Parlamentares ligados ao Planalto, por sua vez, vão explorar a decisão de Mandetta de, no início da pandemia, aconselhar que pacientes com sintomas leves ou moderados de Covid-19 evitassem procurar atendimento médico, em razão do risco de contaminação de terceiros. A investida, no entanto, não deve parar em pé, já que, à época, esta era também a recomendação da Organização Mundial da Saúde, a OMS.

Outro ponto a ser destrinchado mira eventuais falhas na aquisição de equipamentos de proteção individual e respiradores. Governistas vão tentar emplacar a narrativa de que, mesmo ciente do aumento dos casos no mundo, o Ministério da Saúde na gestão de Mandetta não agiu com rapidez para preparar o Brasil.

Suplente na CPI da Covid, Alessandro Vieira, do Cidadania, acredita que os depoimentos colaborarão para a consolidação do retrato das escolhas que levaram o Brasil ao agravamento da pandemia, com a apresentação de datas, o relato de conversas e a indicação de documentos úteis. “As lacunas serão preenchidas“, resumiu. Para o parlamentar, Teich, por exemplo, terá de explicar como se deram as pressões do Planalto que resultaram em seu pedido de demissão.

As duas audiências começarão com uma exposição inicial dos ex-ministros e, na sequência, perguntas levantadas pelo relator da CPI, Renan Calheiros. O emedebista terá o tempo que considerar necessário para fazer seus questionamentos.

Depois da intervenção de Renan, será aberto espaço para as indagações dos inscritos. Cada integrante da comissão terá cinco minutos para fazer perguntas. O depoente, então, irá dispor do mesmo tempo para responder. Parlamentares que não participam da CPI da Covid também terão o direito de fazer questionamentos, mas somente por três minutos, cada. 

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500
  1. Roteiro do Circo Parlamentar de Inquérito (CPI), ingressos caríssimos, relatado por um corrupto e comandado por um palhaço, às custas do nosso dinheiro pago via impostos.

  2. No roteiro consta arguir Mandetta sobre o protocolo "volte para casa e volte se sentir dificuldade de respirar"?. Não vejo a hora de setembro/2021 chegar.

  3. Eu não sei para que tanta investigação. Há mais de 400 mil provas de que o Bozo é genocida. O que o Brasil está esperando? E há ainda muares bestiais e decrépitos que tentam defender o criminoso.

    1. Pior é que não são muares decrépitos, a maioria ainda é bezerrinho e acha que sabe tudo. Coitados!

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