O que levou Vorcaro a travar propina ao ex-presidente do BRB
O valor combinado era da ordem de 146,5 milhões de reais; o Master efetivou o pagamento de 74 milhões de reais
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, indica que o banqueiro Daniel Vorcaro (foto), dono do Master, travou o repasse de propina prometido ao executivo.
O valor combinado era da ordem de 146,5 milhões de reais. O montante chegaria a Paulo Henrique Costa por meio de seis imóveis de luxo.
Segundo a PF, o Master efetivou o pagamento de 74 milhões de reais.
Vorcaro sabia da investigação
Os investigadores apontam que o pagamento total dos valores acordados entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa só não se concretizou porque o banqueiro “teve ciência da instauração de procedimento investigatório sigiloso para apurar, exatamente, o pagamento de propina a PAULO HENRIQUE por meio da aquisição e repasse de imóveis”.
“De acordo com a Polícia Federal, o procedimento investigativo em questão foi autuado pelo Ministério Público Federal em 30/04/2025 e logo em seguida, na data de 10/05/2025, DANIEL VORCARO determinou ao seu operador jurídico DANIEL MONTEIRO que ‘travasse tudo’ e que não realizasse mais nenhum pagamento e nem prosseguisse com a formalização registral das transações então acordadas com PAULO HENRIQUE”, diz a decisão.
A hipótese policial é reforçada pela constatação de que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Felipe Mourão” ou “Sicário”, obteve cópias do processo sigiloso e as repassou a Vorcaro por WhatsApp em 24 de junho de 2025.
“Embora esse envio formal tenha ocorrido em data posterior à mudança abrupta de comportamento de DANIEL VORCARO com relação aos registros dos imóveis, o conjunto de elementos informativos colhidos até o momento aponta a alta probabilidade de que ele tenha tido ciência da instauração do procedimento antes do recebimento das respectivas cópias”, afirma.
Peça essencial na fraude do Master
Em seu parecer, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que os elementos colhidos pela Polícia Federal revelam "quadro indiciário consistente de atuação de organização criminosa voltada à
fabricação, venda e cessão de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB, em operação com participação de agentes do banco privado e de integrantes da alta administração do banco público".
Para o PGR, há indícios de que Paulo Henrique Costa, na condição de então presidente do BRB, foi "peça essencial para viabilizar a aquisição das carteiras fraudulentas e, em contrapartida, recebeu vantagem indevida consistente em seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146.582.649,50, dos quais R$ 74.604.932,47 já teriam sido efetivamente pagos".
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