Família Trump fecha acordos bilionários e enfrenta críticas éticas
Negócios da família Trump em criptomoedas, imóveis e drones aumentam as suspeitas de conflito de interesses
Nas últimas semanas, empresas ligadas à família Trump ampliaram negócios em criptomoedas, imóveis e defesa no Oriente Médio, justamente enquanto a Casa Branca endurece a pressão militar e econômica sobre o Irã.
A expansão ocorre sob comando de Donald Trump e de seus filhos Eric e Donald Jr., que assumiram papel central em acordos com Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita.
A Trump Organization avançou com vários projetos na região. Nos Emirados Árabes Unidos, lançou a Trump International Hotel & Tower, uma torre de 80 andares com hotel de luxo em Dubai. No Catar, assinou um projeto de 5 bilhões e meio de dólares em Simaisma, que inclui o Trump International Golf Club e vilas de luxo. Na Arábia Saudita, anunciou empreendimentos avaliados em cerca de 10 bilhões de dólares, com campo de golfe, hotel em Riad e Trump Plaza em Jeddah.
Dias antes da posse presidencial, a família vendeu quase metade da World Liberty Financial para uma empresa ligada à família real dos Emirados por 500 milhões de dólares.
Outro fundo estatal do país usou uma moeda digital emitida pela empresa da família Trump em uma operação de 2 bilhões de dólares com a Binance, permitindo ganhos financeiros indiretos para o grupo.
Especialistas em ética afirmam que a proximidade entre decisões de governo e interesses privados ficou ainda mais evidente no segundo mandato.
Eric Trump também passou a integrar a Powerus, fabricante de drones que tenta fechar contratos com países do Golfo ameaçados por ataques iranianos e protegidos militarmente pelos Estados Unidos. A empresa levantou 60 milhões de dólares, busca abrir capital e aposta em sistemas de interceptação de drones em um momento de guerra e aumento dos gastos militares na região.
A combinação entre influência política, capital estrangeiro e negócios privados tem provocado críticas nos Estados Unidos e fora do país. Historiadores e ex-integrantes de órgãos de ética dizem que o padrão rompe os limites observados por governos anteriores, sobretudo porque envolve setores diretamente afetados por decisões presidenciais, como defesa, criptomoedas e relações diplomáticas.
A Trump Organization afirma que segue as leis de ética e que o presidente não participa diretamente das operações conduzidas pelos filhos. Ainda assim, a expansão internacional chama atenção porque, no primeiro mandato, a empresa evitou fechar novos acordos no exterior.
Agora, o grupo mantém negociações em países de regimes autoritários, em que a relação entre governo e grandes negócios costuma ser mais estreita.
A proximidade dos negócios da família Trump com países impactados diretamente pelas decisões do presidente alimenta dúvidas sobre até que ponto esses parceiros estrangeiros podem usar investimentos privados para obter influência política junto à Casa Branca, e até que ponto a família do presidente poderia se aproveitar disso para lucrar.
Essa realidade nebulosa tem aumentado a pressão por investigações no Congresso e nos tribunais americanos.
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